Missão histórica: China planeia lançar nave contra asteroide para testar defesa da Terra

Missão histórica: China planeia lançar nave contra asteroide para testar defesa da Terra

  • 23/07/2026 03:30
  • Redação

Como se pode impedir que um asteroide atinja a Terra? Apesar de a NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA) estarem a estudar há mais de 50 anos como localizar, rastrear e analisá-los, ainda não há respostas definitivas sobre como defender o nosso planeta destes corpos celestiais.

Os astrónomos chineses estão a preparar uma missão histórica para saber como proteger a Terra de um episódio de risco, reduzindo as chances destes visitantes se aproximarem.

Para desviar o corpo rochoso da órbita da Terra, a sonda Dart (Double Asteroid Redirection Test) deu, em 2022, "um pequeno empurrão ao asteroide para mudar a sua posição futura, para não estar em rota de colisão com a Terra", explicou a especialista Nancy Chabot do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins.

Sem destruir necessariamente o corpo celeste, a sonda atingiu o asteróide a 6,1 quilómetros por segundo, ou seja, a quase 22 mil quilómetros por hora.

O cientista-chefe desta área na Administração Espacial Nacional da China, Li Mingtao, explicou, em entrevista, que é esperado que a nave atinja uma velocidade recorde, superando o ensaio da NASA.

Pretende-se que esta colisão com o asteróide aconteça a mais de nove quilómetros por segundo, isto é, mais de 32 mil quilómetros por hora.

Ao contrário do alvo escolhido pela missão Dart de 160 metros de diâmetro, este asteroide "2015 XF261" tem 30 metros de diâmetro e foi descoberto em 2015. Como a dimensão é cinco vezes menor, será precisa uma "precisão extraordinária" para atingir o asteroide.

No entanto, este corpo só foi, até ao momento, avistado 74 vezes e a equipa vai saber mais informações três meses antes da missão.

Saber a estrutura interna do asteroide – algo que está ainda em falta – é essencial para entender o sucesso da missão, já que pode condicionar o desvio da sua órbita, causando apenas deformações na superfície rochosa.

Para além da nave que impactará o asteroide, será enviada uma segunda que fará uma trajetória mais longa para observar e analisar o antes, durante e pós-colisão.

Porém, os cientistas também vão estar a acompanhar o momento por cá com o apoio de telescópios terrestres, apesar da esperada nuvem de detritos.

A China quer analisar e estudar as alterações na órbita, forma e superfície do asteroide, avaliando ainda possíveis riscos ou emitindo alertas sobre eventuais ameaças – tudo isto de forma independente. Tal não se verificou no caso da NASA, já que a observação passou para as mãos da ESA.

"O DART foi a primeira missão a demonstrar o desvio de um asteroide através de um impacto cinético no espaço, mas não alterou diretamente a órbita de um asteroide em torno do Sol relativamente à Terra, pelo que difere de um verdadeiro cenário de defesa planetária", defendem os investigadores da Administração Espacial Nacional da China e da Academia Chinesa de Ciências.

Para além das bases científicas, os cientistas chineses querem provar que o impacto provocado entre a nave espacial e o asteroide não representa qualquer perigo para a Terra.

O teste está programado para acontecer entre 2029 e 2030, quando o asteroide estiver a cerca de sete milhões de quilómetros da Terra.

  • Fonte: Rádio Renascença
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