Concerto para 70 mil em Timor recordado no velório de Luís Represas

  • 23/07/2026 18:33
  • Redação

Familiares, amigos e admiradores homenagearam o cantor que deixa um legado memorável na música portuguesa, com canções que marcam diversas gerações.

O percurso de Luís Represas ficou também ligado à causa da independência de Timor-Leste. A canção “Timor”, integrada no álbum “Um destes dias” (1990), veio a ser um dos principais símbolos da causa timorense.

Em declarações aos jornalistas, o músico Miguel Ângelo recordou o momento em que esteve ao lado de Luís Represas, em Timor-Leste, quando o país restaurou a independência, em 2002.

“Foi uma viagem incrível, após várias horas sem dormir. Fomos diretamente para a embaixada e depois diretamente para o palco. Tocar para 70 mil pessoas em Tasitolu, num campo enorme, e aquele sentimento de ter, de uma maneira ínfima, com o 'Timor' e o Trovante e com o 'Soltem os Prisioneiros', estado ali na luta da resistência e do Xanana Gusmão", afirma o vocalista dos Delfins.

Miguel Ângelo reflete como "uma musiquinha de três minutos pode ter este significado" de liberdade e de libertação, na antecâmara do nascimento de uma nova nação.

"E estarmos ali, super cansados, super estourados, com muito calor em Timor e termos pensado: Olha, para isto é que as nossas vidas são feitas, para estes pequenos grandes momentos”, declarou.

O ensaísta e professor universitário Guilherme d’Oliveira Martins também sublinha a importância do movimento social que se desencadeou, em Portugal, de apoio à libertação do povo timorense.

Também presente no velório de Luís Represas, o presidente da Sociedade Portuguesa de Autores, José Jorge Letria, disse que a morte do músico, aos 69 anos, deixa um vazio na cultura musical portuguesa.

“Posso dizer-vos, como amigo dele e admirador dele, que perdemos um dos melhores de nós todos, como cantor, como compositor e como pessoa que não se cansava de procurar novos caminhos e novos percursos”, declarou aos jornalistas.

O também escritor e jornalista recorda “um cantor prodigioso” e acrescenta: “mesmo já doente, ele mantinha uma voz pujante, limpa e livre, que não deixava ninguém imaginar que ele tinha esta vulnerabilidade física que acabou por derrotá-lo”.

O também cantor e compositor Sérgio Godinho recorda Luís Represas com amizade, uma amizade que afirma ter sido construída com a música.

“Recordo-o como um colega, um amigo, um músico, sobretudo um músico. E quando nos une a música, não estamos sós. O facto de estar aqui é também dar um abraço simbólico a um amigo que me acompanhou. O Trovante existiu desde que ele existiu e foi muito tempo a minha banda de apoio, até que depois se autonomizaram. O Luís é, eu digo no presente, é um amigo. E é alguém que viveu completamente a música e de uma maneira real."

O também cantor e compositor diz que Luís Represas deu um importante contributo para valorizar a música nacional.

“Quando se valoriza a música portuguesa e se é criativo, e eu fui um colega de percurso, estamos a fazer mais para a música portuguesa. E o Trovante apareceu com uma flagrância muito grande, depois cresceu e teve um percurso que foi importantíssimo na música portuguesa”, enfatizou

O cantor e letrista Tozé Brito lembra que escreveu várias canções para Luís Represas e assinala que, apesar do seu desaparecimento físico, a obra permanece.

O cantor Luís Represas morreu na quarta-feira, vítima de doença prolongada. O funeral realiza-se esta sexta-feira. Será aberto ao público, incluindo a cerimónia religiosa, marcada para as 15h00, na Basílica da Estrela, em Lisboa.

  • Fonte: Rádio Renascença
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