DECO PROteste: "Setenta e nove por cento dos idosos não conseguem pagar um lar"
- 24/07/2026 03:30
- Redação
As famílias portuguesas enfrentam cada vez maiores dificuldades no acesso a lares de idosos, com os imensos custos associados, alerta um estudo realizado pela DECO PROteste.
A grande maioria dos idosos, cerca de 80%, não tem sustentabilidade financeira e acaba por ter de recorrer a poupanças acumuladas ao longo da vida ou à ajuda de familiares.
O valor de 1.340 euros de despesas com um lar de terceira idade “representa para os idosos 460 euros acima do rendimento médio”.
“Significa que, além do que recebem da reforma, teriam de ter um encargo extra, que não têm”, sublinha Nuno Pais de Figueiredo.
Elevados são também os tempos médios de espera entre a inscrição e a admissão num lar de idosos.
Em muitos casos, pode ir além dos cinco meses nas instituições particulares de solidariedade social (IPSS) e nas Misericórdias e de três meses no privado, sublinha a DECO PROteste.
“Acaba por ser em todo o lado um tempo de espera muito considerável. No caso do público, das IPSS e Misericórdias, é um tempo de espera acima do desejável para os mais idosos e falamos de uma percentagem superior a 40% que tem muita dificuldade em ter um lugar”, sublinha Nuno Pais de Figueiredo.
Sem vaga nos lares, prolonga-se “a estadia em casa com familiares mais próximos, que nem todos têm capacidade para serem cuidadores”.
A situação é particularmente grave na Área Metropolitana de Lisboa e na região Norte, onde o diferencial entre rendimento e despesa é ainda maior.
Num contexto de envelhecimento da população portuguesa, a DECO PROteste diz que é urgente reforçar a capacidade de resposta das estruturas residenciais para pessoas idosas, tornando-as mais acessíveis e financeiramente sustentáveis para as famílias.
Nuno Pais de Figueiredo lembra ainda a importância de as famílias acautelarem junto dos lares a transparência nos custos.
“Deve haver transparência nos valores a pagar, para saber o que está incluído, para que não haja dúvidas. Muitas vezes esta situação não é muito clara. Não pode ser pagar e pronto”, refere.
O estudo divulgado esta sexta-feira pela DECO PROteste foi realizado junto de 694 familiares de utentes de Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas e surge a propósito do Dia dos Avós, que se assinala no próximo domingo.