"Este Benfica está num nível abaixo de zero": a reflexão de Nuno Campilho
- 24/07/2026 08:54
- Redação
“O Benfica, com este nível exibicional, não será apenas problemático na Liga Europa ou na Liga Conferência se para lá for parar, como também no campeonato. Isto é uma espécie de nível abaixo de zero e daqui para a frente, pior que isto não há de ficar”. A frase de Nuno Campilho espelha bem o sentimento que percorre a nação encarnada, no dia seguinte à derrota na Suíça (2-1) com o St. Gallen, na 1ª mão da 2ªa pré-eliminatória da Liga Europa”.
O conhecido gestor e adepto do Sport Lisboa e Benfica, considera que “sem prejuízo das contrariedades associadas à ausência de uma série de jogadores que certamente deveriam ser titulares, um clube da grandeza do Benfica, ainda por cima enfrentando um adversário de menor categoria - sem qualquer tipo de desprestígio ou desrespeito para com o St. Gallen - era exigível outra postura”, sublinha.
Na opinião de Nuno Campilho, o Benfica “não demonstrou a capacidade de contrariar as forças que o St. Gallen apresentou, forças que, face à sua menos-valia técnica, estiveram na agressividade, na intensidade e na capacidade de chegar primeiro à bola e de ganhar as segundas bolas; o Benfica não soube contrariar, o que resultou numa exibição bastante pobre e num resultado negativo”.
A ideia que transpareceu, de uma forma geral, foi que os jogadores do Benfica não estavam preparados para a intensidade colocada pelo adversário, nomeadamente ao nível dos duelos individuais e Nuno Campilho também ficou com essa sensação.
“Senti, mas repare, face àquilo que é o tempo de preparação que o Benfica tem tido, este início prematuro de época, não seria de esperar que houvesse uma exibição estrondosa e uns níveis físicos de velocidade e de capacidade técnica não condizentes com o momento atual. De todo o modo, era esperado um pouco mais. Considerando que já era expetável que a equipa do St. Gallen jogasse daquela forma, outros antídotos teriam de ser encontrados”.
Este adepto benfiquista concretiza: “Uma das maiores fragilidades que detetei foi a dificuldade de ter todos os setores a jogar. A determinada altura, o Benfica parecia que só tinha de fazer ataque, porque fazia construção desde o guarda-redes, mas nenhum dos médios descia para fazer essa construção, portanto não havia ligação; a bola era invariavelmente colocada diretamente no ataque, fosse pelo Lenglet, fosse até pelo Trubin, portanto, houve aqui um desligar dos setores que não contribuiu para tornar o jogo mais fluido e para que o Benfica tivesse o domínio que deveria ter, independentemente de estar numa situação ainda frágil no que diz respeito à ausência de jogadores e ao tempo em que está em preparação. Era expetável e era exigível muito mais, sem dúvida”, assinala.
Há poucos meses, quando o Benfica teve na mão o 2º lugar do campeonato, quem imaginaria que a equipa viria a estar em risco de ser atirada para a Liga Conferência? É o que acontecerá, se o St. Gallen empatar na 2ª mão, na Luz...
“Obviamente que sim. O Benfica terá sempre de marcar um golo para dar a volta à eliminatória, portanto, se fosse para a segunda mão empatado, diríamos sempre que o jogo não estava perdido; mas neste momento o Benfica está a perder no intervalo da eliminatória” reconhece Nuno Campilho, complementando que “é expectável que mesmo os jogadores que jogaram ontem, sendo exatamente os mesmos a entrar em campo, estejam com níveis físicos e de valia técnica mais evoluídos face à semana de trabalho que vão ter, maior entrosamento, maior capacidade para poder fazer face ao adversário”, assinala.
“Se houve surpresa, ela acabou, porque já sabemos como é que eles virão jogar e irão jogar ainda de forma muito mais fechada para evitar que o Benfica possa marcar e dar a volta à eliminatória” sublinha Nuno Campilho, para quem “é expetável que estes jogadores estejam em melhores condições e também é expetável que haja a adução de alguns jogadores que não puderam estar, e nem vou falar dos mundialistas; falo de um, cuja ausência acabou por gerar ali alguma dificuldade de ligação no meio-campo, que é o Leandro Barreiro, cuja indisposição ou doença, certamente já estará regulada daqui a uma semana; essa situação, à partida será uma mais-valia para o Benfica. Depois temos mais dois ou três jogadores, por exemplo, o Tomás Araújo e o Dedic, que já estão a trabalhar. Jhon Durán, duvido, não só por razões que têm a ver com o trabalho que tem de desenvolver com a equipa, mas parece que os seus índices físicos, por razões várias, que têm a ver com algum tempo de paragem, ainda não estão ao melhor nível; seja como for, poderá já ser uma opção, nem que seja no banco” considera.
Para Nuno Campilho, resultaram várias evidências do jogo da última noite, na Suíça e, uma delas, foi a falta de agressividade na área defensiva.
“Não é de agora, mas ainda por cima com a ausência do Otamendi, falta a capacidade de conquistar bola no jogo aéreo, seja em bolas paradas, seja no jogo corrido; Otamendi dava isso. Não tenho dúvidas da qualidade técnica de Lenglet, que a demonstrou, nem tenho em relação a António Silva, que está a sair, muito menos em relação a Tomás Arujo, mas falta a capacidade de poder vencer duelos aéreos, sobretudo a nível defensivo” sublinha. E esta não foi a única limitação que Campilho detetou no primeiro Benfica oficial de Marco Silva.
“Houve uma incapacidade que foi de facto gritante; não havia médio que construísse entre os centrais, como tal, os laterais também não se podiam projetar, portanto, o Benfica não tinha presença longitudinal de maior capacidade até de superioridade numérica, porque não conseguia projetar os seus jogadores para a frente. Sem prejuízo da pressão muito intensa que o St. Gallen efetuou, uma construção diferente, a chamada construção a três, com o médio a descer para jogar entre os centrais, dá muito mais amplitude ao futebol de qualquer equipa. No Benfica também não seria diferente”.
E mais: "O facto de aquele meio-campo inédito ser constituído por um miúdo de 17 anos e por um outro jogador que esteve lesionado uma época inteira também justifica alguma incapacidade de melhor produzir e criou aqui um problema muito complicado. Todos nós sabemos da forma de jogar de dois jogadores ausentes neste momento – Ríos e Aursnes. Qualquer um dos dois dá outro músculo e outra intensidade e capacidade de construção no meio-campo. O futebol do Benfica não foi fluido, e tudo isto são sinais negativos”, remata.
Apesar da derrota comprometedora para o futuro do Benfica na UEFA, nesta entrevista a Bola Branca, Nuno Campilho assinala o “bom entrosamento entre o Pavlidis e o Rafa, que foram dos jogadores que deram sinais mais positivos, até na forma como construíram o golo”, mas também “a capacidade de assumir o jogo ainda com algumas deficiências técnicas e muitas perdas de bola, demasiadas até, por parte do Sudakov, que teve o mérito de assumir o jogo, ou tentar assumir o jogo e partir para cima do adversário”.
Para a 2ª mão, na próxima quinta-feira, Campilho diz ser importante "contagiar estes sinais positivos aos restantes jogadores” embora admita que, “dos que estiveram de fora na 1ª mão, há 7 que podem ser titulares, ou seja, dos que jogaram ontem até podem só sobrar 3, mas isto é muita teoria da minha parte” conclui.