PS "não embarca" em inquérito ao MAI e acusa Chega de “fragilização” da PJ por causa de investigações à extrema-direita
- 24/07/2026 08:53
- Redação
O PS não alinha, para já, na instalação de uma comissão parlamentar de inquérito potestativa aos mandatos de Luís Neves como diretor da Polícia Judiciária anunciada pelo Chega, com o líder parlamentar, Eurico Brilhante Dias, a falar de uma “nebulosa” que foi criada em torno do ministro da Administração Interna.
Falando aos jornalistas na sede do PS, em Lisboa, Brilhante Dias disse que o partido “deverá aguardar” pelas prometidas explicações de Luís Neves, referindo que deve ser um “esclarecimento cabal e claro”. O dirigente socialista garante que o PS “não deixará se pronunciar sobre a qualidade da resposta à nebulosa que foi criada em torno do Sr. Ministro da Administração Interna”, avisando que “não vai embarcar, e não embarcará em momento algum, com a fragilização da Polícia Judiciária”.
Eurico Brilhante Dias, que não esclarece se o PS pondera sequer vir a admitir uma comissão parlamentar de inquérito a este caso, garante que o PS não colocará a PJ em causa, “tal como o Partido Chega está a fazer neste momento”, com o dirigente socialista a sugerir que o anúncio de André Ventura tem como motivação inibir investigações em curso a movimentos de extrema-direita.
“Porque é que o Chega quer fragilizar a Polícia Judiciária? Quer fragilizar a Polícia Judiciária por causa das investigações da ligação do 1143 ao Chega? Quer fragilizar a Polícia Judiciária pelas ligações do movimento armilar, que tinha uma lista de alvos, de indesejáveis, e que tem inequívocas ligações ao Partido Chega? O Partido Chega está a atacar a Polícia Judiciária porque tem algum receio sobre as investigações que ligam alguns financiadores ao Partido Chega e à extrema-direita?”, questionou Eurico Brilhante Dias.
Para o dirigente do PS “não se percebe, sem prejuízo, de toda a transparência que é exigível a qualquer titular de um cargo público, que no meio de um assunto como este dos exames, que está a afetar milhares de alunos, milhares de famílias, famílias que investiram durante anos na formação dos seus filhos, dos seus netos, e que o Chega, perante aquilo que são os esclarecimentos que o sr. ministro diz que prestará na próxima semana, a primeira coisa que lhe ocorre é fazer uma comissão parlamentar de inquérito que fragiliza a PJ”.
Eurico Brilhante Dias garante que o PS “exige transparência e respostas” do ministro da Administração Interna e que “quem não está disponível para ser íntegro, o que é mau, não pode estar na vida pública”, insistindo que “aguarda” pelas respostas de Luís Neves e “retirará das respostas todas as ilações”.
Questionado sobre a possibilidade de o PS avançar com uma moção de censura ao Governo, na sequência dos casos que envolvem o ministro da Administração Interna, Brilhante Dias respondeu que “não, estamos muito longe”, referindo ainda que “todos os passos seguintes são conjeturas que hoje não vale a pena fazer”.
Brilhante Dias insistiu ainda que as investigações da PJ em torno do 1143 e do Movimento Armilar Lusitano e o processo de financiamento da extrema-direita que, “está abundantemente documentada em publicação que todos conhecem” podem estar na origem da iniciativa do Chega.
Aos jornalistas, Brilhante Dias disse ainda que o PS “não vai banalizar comissões parlamentares de inquérito”, acrescentando que os casos que envolvem o ministro da Administração Interna têm “uma dimensão diferente” da polémica com os exames nacionais. “É outra coisa”, reconhecendo, porém, que a “transparência e integridade ao serviço dos servidores públicos é uma obrigação que temos”.