FNE. Ministro da Educação está a "repetir o exame" e "se correr novamente mal, chumba”
- 24/07/2026 09:04
- Redação
O ministro da Educação está a "repetir o exame" na "segunda fase", mas, caso se repitam as falhas que marcaram a digitalização e a classificação das provas na primeira fase, "chumba".
O aviso foi deixado esta sexta-feira pelo secretário-geral da Federação Nacional da Educação (FNE), durante uma conferência de imprensa de apresentação dos resultados da Consulta Nacional sobre a carreira docente e as condições de trabalho nas escolas. Aos jornalistas, Pedro Barreiros assegura que Fernando Alexandre terá agora de demonstrar que o Ministério da Educação, o Júri Nacional de Exames e o EduQA aprenderam com os erros.
“Aconteceu uma vez e houve esta compreensão por parte da sociedade, por parte dos professores. Não poderá, garantidamente, haver a mesma compreensão se os erros se repetirem”, afirma.
“Se o ministro da Educação, na segunda fase, repetir o exame e se correr novamente mal, chumba”, afirma o dirigente sindical, referindo-se a uma possível demissão de Fernando Alexandre.
O secretário-geral destaca que o processo de correção na primeira fase só chegou ao fim devido ao empenho dos docentes, que aceitaram corrigir mais itens e trabalhar durante a noite e ao fim de semana.
“O que se manteve desde o início até ao fim é verdadeiramente o empenho dos professores, porque, se não fossem os professores, os problemas que foram surgindo dificilmente poderiam ser ultrapassados”, sublinha.
O Governo já anunciou o pagamento de horas extraordinárias pelo trabalho de classificação. Pedro Barreiros considera, contudo, que será difícil apurar o número exato de horas feito por cada docente e defende um modelo que remunere a função desempenhada, em vez de contabilizar apenas o tempo passado na plataforma.
A FNE insiste na realização de uma auditoria independente que esclareça a origem dos problemas e determine o papel de cada entidade envolvida no processo dos exames.
Pedro Barreiros reconhece que Fernando Alexandre é o responsável político pelo que aconteceu e terá de assumir as consequências, mas rejeita que toda a responsabilidade fique concentrada no ministro.
“Importa também que ele não as assuma por inteiro, porque há outros responsáveis ou, pelo menos, há outros atores no meio de todo este filme”, sustenta.
Pedro Barreiros aponta, em particular, para a necessidade de apurar responsabilidades técnicas no Júri Nacional de Exames e na EduQA, envolvidos na preparação e operacionalização do modelo.
“Se existe um Júri Nacional de Exames, se existe uma EduQA, só fazem sentido existir para cumprirem um determinado papel. Se não o cumprem adequadamente, então também importa reestruturar, alterar e pensar de uma forma diferente como é que deve ser feito”, defende.
A conferência de imprensa da FNE teve como propósito apresentar a já habitual consulta nacional realizada junto de 3.174 professores entre 12 e 26 de junho.
A principal conclusão, segundo Pedro Barreiros, é que os docentes continuam comprometidos com o ensino, apesar da falta de reconhecimento e das condições de trabalho.
“Os professores continuam a gostar da profissão, mas consideram que o sistema de ensino continua a exigir demasiado deles, sem lhes proporcionar o reconhecimento, os recursos e as condições de trabalho que a profissão merece”, afirma.
O estudo revela que 72% dos inquiridos consideram que a carreira docente não é atrativa e 71% não aconselhariam um jovem a escolher a profissão. A remuneração é outro dos principais motivos de descontentamento: 91,1% entendem que o salário não corresponde às qualificações exigidas.
A burocracia continua igualmente a pesar no trabalho dos professores. Quase 45% consideram que aumentou em relação ao ano anterior e cerca de três em cada quatro classificam essas tarefas como pouco úteis ou inúteis.
O secretário-geral da FNE sublinha que a dedicação dos professores não pode continuar a compensar indefinidamente as falhas do sistema.
“Não há sistema educativo que possa assentar indefinidamente na dedicação dos seus profissionais”, conclui.