Morte por afogamento aumenta: Autoridade Marítima alerta para o risco em rios e praias fluviais
- 25/07/2026 04:48
- Redação
“O que temos vindo a reparar, e já durante esta época balnear, é que a maioria das situações de morte, cuja causa provável é afogamento, ocorre em praias não vigiadas, sejam elas marítimas ou fluviais”, avisa o comandante.
Em 2025 morreram em Portugal 142 pessoas por afogamento, o que traduz um aumento de 17,4% face a 2024. Já este ano, até 30 de junho, estão contabilizadas 75 mortes, que corresponde ao valor mais elevado neste intervalo de tempo desde 2017.
O comandante Ricardo Sá Granja dá como exemplo os rios Douro e Guadiana, onde têm subido as mortes por afogamento, sobretudo de jovens do sexo masculino.
“No rio Douro e no rio Guadiana existem zonas fluviais que não são zonas para as pessoas irem a banhos, e as pessoas vão a banhos”, sublinha. “Infelizmente, já durante esta época balnear, deparamos com alguns afogamentos precisamente nestas zonas que não são zonas de banhos, não são praias fluviais, são rios. Depois ocorrem aqui estes acidentes trágicos com jovens adolescentes”, alerta.
O porta-voz da Autoridade Marítima Nacional lembra que “a segurança começa em nós próprios” e apela aos banhistas para que optem sempre por praias vigiadas. “Muitas vezes, mesmo que as pessoas estejam à vontade, mesmo que as pessoas saibam nadar, por vezes podem deparar-se com situações muito perigosas”, acrescenta.
Além das praias não vigiadas, o comandante alerta ainda para o perigo dos agueiros, “um fenómeno muito comum na nossa costa, principalmente na costa Oeste”.
“Uma zona de agueiro, se for uma praia marítima vigiada, estará muito provavelmente identificada como uma zona em que não se aconselha a ida a banhos."
Como podem ser reconhecidas estas zonas de perigo, sobretudo em praias sem nadadores-salvadores? “A zona dos agueiros é precisamente a que não tem ondulação nenhuma”, o que leva os banhistas a pensar que será o melhor local para banhos. “Mas não é”, avisa o comandante.
O porta-voz da Autoridade Marítima explica que “os agueiros são correntes marítimas causadas pelo retorno da água do mar”. Se se sentir puxado por estas correntes, “deve manter a calma, tentar flutuar e não nadar contra a corrente, uma vez que o agueiro irá puxá-lo para longe da costa e não para baixo de água”. Como sair desta situação? Deve “nadar paralelamente à costa, a favor das ondas e da saída desta zona de corrente”, acrescenta.
Este ano, a Organização das Nações Unidas (ONU) assinala o Dia Internacional da Prevenção do Afogamento com o tema “Unir para inverter a maré”, que reflete a necessidade de uma ação coordenada entre governos, setores e comunidades para prevenir afogamentos e salvar vidas.
Esta é uma das 10 principais causas internacionais de morte entre crianças dos cinco aos 14 anos e é responsável pela morte de cerca de 300 mil pessoas, por ano, avisa a organização.
O comandante Ricardo Sá Granja reconhece que “enquanto houver incidentes balneares os meios nunca são insuficientes, mas é impossível termos um elemento ou um tripulante de uma embarcação salva-vidas ou uma embarcação salva-vidas em todas as praias do país”.
A Autoridade Marítima Nacional conta com um dispositivo padrão disponível todo o ano, 365 dias por ano, para a segurança balnear. São “474 elementos da Polícia Marítima que fazem ações de patrulha e fiscalização e 110 tripulantes nas 28 estações salva-vidas espalhadas por todo o país”. Este dispositivo é ainda reforçado na época balnear com 62 militares da Marinha.
A época balnear ainda vai a meio, arrancou a 15 de abril e vai até 30 de outubro.
Ainda há muitos dias de sol e praia pela frente, por isso o comandante Ricardo Sá Granja lembra os habituais conselhos: