André Silva e o regresso ao FC Porto. "Soube que íamos ter uma videochamada 15 minutos antes, fiquei a suar"
- 25/07/2026 09:32
- Redação
André Silva recorda a videochamada com o presidente do FC Porto, André Villas-Boas, e o treinador, Francesco Farioli, que ditou o retorno ao Dragão.
"Os meus agentes sabiam qual era a minha vontade número 1. Foi só surgir essa oportunidade da parte do clube, da parte do presidente e do mister. A primeira videochamada que tivemos, soube 15 minutos antes que íamos ter. Foi uma surpresa enorme e posso dizer agora que fiquei a suar um pouquinho", conta o ponta de lança, em entrevista à Sport TV.
Outro regresso que André Silva, de 30 anos, gostaria de viver é à seleção. Não contou para Roberto Martínez, contudo, agora, com Jorge Jesus ao comando e de camisola azul e branca vestida, o ponta de lança alimenta o sonho: "Sempre foi uma ambição minha e continuará a ser."
Regresso ao FC Porto: "Tem sido intenso, nostálgico, bastante bom. Foi a decisão correta, foi um momento inexplicável para mim. No início parecia que ainda estava a sonhar e que ia voltar para o estrangeiro, mas agora já estou mais assente e estou feliz."
Diferenças entre o André Silva que saiu do Porto e o que regressa: "Muda muita coisa. Foram nove anos fora, de experiências, desafios, conhecimentos sobre mim e o mundo do futebol e lá fora que me permitem regressar a casa com mais experiência mas com a mesma vontade e sonhos por concretizar. Fui-me conhecendo, estando em situações confortáveis e desconfortáveis, percebendo que tipo de jogador eu era, adquirindo coisas que nunca pensei que pudesse ter. Foi isso, descobrir-me a mim mesmo."
Melhor época foi a segunda no Eintracht Frankfurt: "Foi a primeira equipa em que estive dois anos completos seguidos, nem no Porto tive isso, o que me permitiu ter maior estabilidade e fez com que conseguisse tirar o melhor de mim."
Relação com o FC Porto enquanto estava lá fora: "No início tentei emocionalmente afastar-me um pouco, porque era algo que não conseguia controlar de todo, estar longe e sentir-me ao mesmo tempo perto. Permitiu-me ter uma estabilidade emocional maior. Mas sempre estive ligado e sempre fui acompanhando."
Nova liderança no FC Porto: "O que faz um clube são as suas tradições e os seus valores, e isso está bastante vincado. A raça com que todos trabalham, a resistência que demonstram e manifestam todos os dias todos os trabalhadores. As caras podem ser novas, mas os valores mantêm-se."
O sonho de voltar: "Ao longo da minha carreira, principalmente no início, não tinha como expectativa voltar. Também pela situação do clube e a minha situação, que sabia que podia ser complicada para o clube. Também nunca surgiram essas oportunidades. E emocionalmente, era algo que se eu passasse um minuto a pensar, abalava-me um pouco. Então, tentei afastar-me. Mas é verdade que nestes últimos anos, tentei eu aproximar-me, à espera que alguma vez surgisse uma oportunidade. Os meus agentes sabiam qual era a minha vontade número 1. Foi só surgir essa oportunidade da parte do clube, da parte do presidente e do mister. A primeira videochamada que tivemos, soube 15 minutos antes que íamos ter. Foi uma surpresa enorme e posso dizer agora que fiquei a suar um pouquinho. Foi uma surpresa porque não esperava que acontecesse, porque através do que ia ouvindo e sabendo, essa expectativa colocava-me um pouco longe, mas surgindo a oportunidade, foi algo que tinha de acontecer e foi no momento certo."
Videochamada com Francesco Farioli e André Villas-Boas: "Foi o mister a dizer a forma de jogar e de ver o trabalho. O presidente a demonstrar a razão pela qual estávamos a fazer aquela chamada. Da minha parte, já sabiam, mas eu também aproveitei para transmitir as minhas vontades. E depois foi uma questão de contrato e de números, que rapidamente se solucionou."
Farioli: "É um treinador à Porto, representa bastante bem os valores do clube e traz uma personalidade única. É bastante exigente, especialmente nos pormenores, é bastante rigoroso no que pede e procura bastante a união do clube: a união tática e de trabalho, que sejamos um dentro e fora de campo."
Estilo de Farioli: "Tentar trabalhar a equipa como um todo, como um bloco, em que atacamos e defendemos todos, intensos, sem deixar o adversário respirar. Também nós temos de estar preparados para não respirar e para isso precisamos da parte física e mental para estar sempre atentos. Intensidade, união e trabalho."
Porto é o alvo a abater: "O que aconteceu já aconteceu, já foi, já demonstrámos e aprendemos. Agora temos de dar o dobro. Somos o alvo a abater, temos a honra do clube para defender. Trabalhar pelo nosso orgulho."
O que os adeptos lhe dizem: "Têm-me pedido para marcar golos, alguns deles até bastantes. [risos] Têm-me dado apoio."
Rodrigo Mora: "O Rodrigo ao longo do tempo que fui vendo ele crescer no Porto, identifiquei-me bastante pelo meu percurso. Faz-nos sentir mais próximos. Temos treinado bem. O mister varia bastante, aproveita estes tempos para nos conhecer dentro de campo e ver como nos adaptamos aos diferentes processos. Confio bastante que o Rodrigo tem um caminho enorme pela frente, um potencial enorme. O toque de bola e a forma como ele faz as coisas é de grande qualidade e, com a idade que tem, tem muita margem pela frente. É muito fácil para ele sair da pressão em situações difíceis."
Diogo Costa: "Foi espetacular na seleção, defendeu bem também o clube em que está e mostrou a qualidade que tem. É um guarda-redes de nível mundial, um dos melhores provavelmente. Orgulhoso pelo trabalho que fez. Bastou ele ter ido cumprimentar toda a gente no Porto, ter tirado um tempo das férias para ir lá, mostrou liderança como capitão."
Farioli pediu que fechassem o aeroporto e as estradas para Diogo Costa não sair: "Se eu puder ajudar, vou lá com o mister e ajudo a fechar [risos]."
Não estava nos planos da seleção nacional com Roberto Martínez: "Causou estranheza no início, mas depois é normal, nas últimas épocas não estive no meu nível ou o contexto não o permitiu. Respeito. Os treinadores são os nossos líderes, são os capitães dos barcos, cada um com as suas ideias para tirar o melhor dos clubes ou das seleções. Havia sempre uma expectativa, e estava sempre a tentar dar o meu melhor para que resultasse. Mas sabia que não controlava. O tempo e a energia que gastamos a tentar perceber certas situações... No início, não percebia tanto, mas depois, pela minha carreira ou pelo momento em que estava, não estava a produzir tanto para isso. São coisas que não controlo e pensar muito nisso tira o rumo. O mais fácil e o que ajuda mais é aceitar."
Martínez alguma vez explicou? "Só houve um momento em que estivemos juntos, ainda no início, na chegada. A partir disso, não houve mais conversas."
Abre-se a porta do regresso com Jorge Jesus? "Sim, por que não? Continua a ser um sonho para mim representar a seleção. Sinto que foi ontem que deixei de ir, tenho a sensação que faço parte do espaço. Tenho a mesma vontade e o mesmo sonho de representar agora e nos próximos campeonatos. Sempre foi uma ambição minha e continuará a ser."
Jorge Jesus: "Não tive a oportunidade de trabalhar com o mister, mas por onde passou, ganhou sempre títulos."
Gostava de ser capitão do FC Porto? "Ser capitão é algo que acaba por acontecer, é algo que tem de ser merecido. O meu papel neste momento é tentar adaptar-me o mais rápido possível, foi provavelmente o clube mais fácil para que isso aconteça, e continuar a dar o meu melhor, para conseguir influenciar todos à minha volta e que consigamos fazer coisas bonitas pelo clube."
Supertaça frente ao Torreense: "Uma final é uma final e queremos encarar todos os jogos dessa forma. Sabemos como aconteceu termos este adversário. Aqui não há favoritismos, isso ganha-se em campo. Estamos focados em sacar o melhor de nós e honrar o FC Porto e a camisola, neste jogo e nos próximos."
Vai usar o número 19: "Os números com que me identifico e costumo jogar não estavam disponíveis, mas o 19 vem de ter sido a minha camisola, o meu primeiro golo ter sido com esse número, e também ter sido do Diogo Jota."
Assina por baixo marcar 19 golos esta época? "Tento sempre chegar ao máximo e ao limite, por isso não assino nenhum número."