"Foi muito pior do que imaginava". Trump entre piadas e ataques no Jantar dos Correspondentes

"Foi muito pior do que imaginava". Trump entre piadas e ataques no Jantar dos Correspondentes

  • 25/07/2026 12:40
  • Redação

Três meses depois de um ataque falhado, o tradicional jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca realizou-se na sexta-feira, em Washington. No seu discurso, o Presidente Donald Trump ensaiou algumas piadas, com uma pitada de ironia, e atacou adversários políticos e jornalistas.

Trump combinou momentos de humor com ataques típicos dos seus comícios políticos, num evento dedicado à liberdade de imprensa que foi retomado depois de um tiroteio ter levado ao cancelamento da edição originalmente prevista para abril.

O Presidente norte-americano, cuja administração tem mantido uma relação frequentemente tensa com os meios de comunicação, começou por alinhar com o tom descontraído e cordial da cerimónia.

Contudo, grande parte do discurso, que durou mais de uma hora, acabou por centrar-se em ataques aos seus adversários políticos, retomando temas e linhas de argumentação recorrentes.

O jantar de gala, que reúne jornalistas, políticos e membros da administração, estava inicialmente marcado para 25 de abril, no hotel Washington Hilton, mas foi cancelado nessa noite depois de um homem tentar forçar a entrada através de um posto de controlo de segurança e disparar uma caçadeira no exterior da sala onde Trump e membros do seu Governo se preparavam para tomar os seus lugares.

O suspeito, Cole Allen, declarou-se inocente, em maio, das acusações que enfrenta, entre as quais a tentativa de assassínio do Presidente.

O jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca realiza-se há mais de um século e tem como objetivo angariar fundos para bolsas de estudo em jornalismo, ao mesmo tempo que celebra a liberdade de imprensa garantida pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos.

Antes do evento, várias centenas de jornalistas veteranos e oito organizações profissionais de jornalismo assinaram uma carta a pedir à associação que aproveitasse a ocasião para condenar o que classificaram como ataques de Trump à Primeira Emenda.

Ainda assim, o Presidente foi recebido com as habituais honras, embora se tenham registado alguns momentos de embaraço quando cumprimentou jornalistas distinguidos por reportagens sobre a sua administração.

"Espero que todos saibam que acredito na liberdade de imprensa mais do que qualquer outra pessoa nesta sala — talvez não tanto assim. É por isso que tenho orgulho em ser o Presidente mais aberto e transparente da História. É o que dizem de mim", afirmou Trump.

O Presidente destacou igualmente aquilo que considera ser o outro lado da sua relação com os jornalistas: o acesso sem precedentes que lhes tem concedido, através de frequentes sessões de perguntas e respostas e de contactos telefónicos diretos com muitos repórteres.

"Descobri que, quando não se fala com a imprensa, acaba sempre por sair uma má notícia", disse Trump, cuja relação com os media remonta aos anos 1980, quando se tornou conhecido como promotor imobiliário em Nova Iorque. "Quando se fala com a imprensa, pelo menos existe a possibilidade de sair uma boa notícia."

À medida que várias piadas preparadas para o discurso não suscitaram reação da assistência, Trump questionou o trabalho dos seus autores, chegando a perguntar: "Alguém percebe isto?"

Depois de uma piada sem sucesso, comentou: "Na verdade, era a única coisa que achei boa neste discurso estúpido."

Entre piadas e ataques, Trump regressou a temas habituais dos seus comícios, enaltecendo aquilo que considera serem os êxitos da sua administração em matérias como o Irão e o combate à criminalidade em Washington.

A edição deste ano assinalou a primeira presença de Trump, enquanto Presidente, no jantar da Associação de Correspondentes. Durante o anterior mandato, optou sempre por boicotar o evento, embora tenha prometido regressar no próximo ano.

Defensores da liberdade de imprensa têm criticado a administração Trump devido aos processos judiciais intentados contra órgãos de comunicação social, às restrições impostas ao acesso de alguns jornalistas e às ameaças de medidas contra empresas de radiodifusão. Trump rejeita essas críticas, alegando que o seu Governo está apenas a promover a responsabilização dos media e a combater a parcialidade informativa.

A cerimónia homenageou ainda o agente dos Serviços Secretos Victor Gonzales, que foi atingido por um disparo no posto de controlo de segurança durante o ataque de abril e a quem é atribuído o mérito de ter travado o agressor, bem como os funcionários do Washington Hilton que prestaram assistência aos convidados. Gonzales sobreviveu graças ao colete balístico que envergava.

O jantar decorreu este ano num espaço mais pequeno, no hotel Waldorf Astoria, sob um forte dispositivo de segurança, e uma das primeiras mensagens da noite foi de desafio perante a violência política.

"Não cedemos à violência política (...) Nenhum louco armado conseguirá mudar isso", afirmou Trump, ecoando posições manifestadas por outros oradores.

Ainda assim, não resistiu a dirigir novas críticas a figuras da comunicação social e do mundo do espetáculo, apontando o dedo a jornalistas como Don Lemon e Lawrence O'Donnell, a políticos como Chris Christie e Adam Schiff, e a personalidades como Bruce Springsteen e Jane Fonda.

No final, Trump agradeceu aos organizadores e afirmou ter feito novos amigos, mas voltou a recorrer ao humor para deixar uma última provocação.

"Foi uma noite interessante. Não fazia ideia do que esperar", disse. "E foi muito pior do que imaginava."

  • Fonte: Rádio Renascença
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