Cardeal Pizzaballa aos jovens portugueses: a mudança começa na "atitude de cada um de nós"
- 25/07/2026 15:57
- Redação
"Não podemos mudar as soluções políticas", mas "a atitude em cada um de nós". A ideia foi deixada pelo patriarca latino de Jerusalém, o cardeal Pierbatista Pizzabala, no Rejoice 2026 - Jornada Nacional da Juventude, que decorre em Lamego.
No auditório do Centro Paroquial de Almacave estiveram, este sábado, cerca de uma centena de jovens. A milhares de quilómetros, em Jerusalém, o cardeal Pizzabala. Durante a conversa, por videoconferência, falou-se de paz, mas, sobretudo, de esperança e de confiança.
Luís Costa foi um dos jovens a interpelar o patriarca latino de Jerusalém. Quis saber como é que é possível recuperar a confiança em contexto de guerra.
“O que o cardeal nos disse é que só era possível no contacto com as pessoas”, resume o jovem de Torres Vedras. “Portanto, não é possível através das grandes hierarquias ou das elites, como ele [o cardeal] disse, mas sim do contacto direto com as pessoas, do ser-se leal para com elas”, explicou.
Outra interveniente na conversa foi Ana Guimarães. Do diálogo com o patriarca, a peregrina da Diocese do Porto diz levar “a simplicidade” do trato e a “mensagem de esperança”. E, acrescenta, a convicção de que “é possível manter a esperança, mesmo, em situações difíceis, drásticas, dramáticas mesmo”.
Ana refere-se as situações de violência em todo o mundo, como é exemplo da Faixa de Gaza, na sequência da guerra a Israel/Hamas. Contextos de guerra que Ana acredita terem a atenção e a sensibilidade dos jovens.
“No fundo, todos os jovens têm o conhecimento de coisas que estão a acontecer no mundo e acho que têm esta sensibilidade de saber distinguir o que é bem, o que é mal e, acima de tudo, saber que há pessoas que sofrem.”
“Para nós cristãos, católicos, o sofrimento do outro é que é o grande foco. Não é se os grandes governantes estão a fazer bem ou mal, mas sim as pessoas que estão a viver as consequências reais dessas decisões”, alerta.
Durante a sua intervenção, e em tempo de guerras no mundo, o cardeal Pizzabala lamentou que o “bem comum” esteja a ser substituído por “interesses individuais e dos grupos”.
Uma realidade que “não deverá mudar tão cedo”, alertou o patriarca, defendendo o papel da Igreja na luta e na preservação do bem da comunidade que “seja para todos e não apenas para alguns”.
O diálogo com os jovens portugueses decorreu, este sábado, durante a oficina “Ler a Paz” no âmbito do Rejoice -2026 – dinamizado pelo Departamento Nacional da Pastoral Juvenil.
Na conversa, de cerca de uma hora, houve tempo para recomendações de leitura. A pedido de um dos jovens, o patriarca latino de Jerusalém recomendou duas obras: “o Livro de Jeremias” e “Deus à procura do Homem”.