"Chegamos a esta triste realidade": Trabalhadores denunciam "retirada de 100 ambulâncias" do dispositivo do INEM

"Chegamos a esta triste realidade": Trabalhadores denunciam "retirada de 100 ambulâncias" do dispositivo do INEM

  • 26/07/2026 10:38
  • Redação

Esta posição surge após declarações do presidente do INEM, Luís Mendes Cabral, numa entrevista transmitida na sexta-feira pela RTP, em que confirmou a transferência das ambulâncias de emergência médica do INEM para as Unidades Locais de Saúde (ULS) e a transformação das atuais ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV) em viaturas ligeiras.

"A concretizar-se esta decisão, 54 ambulâncias de emergência médica serão entregues às ULS e 46 ambulâncias SIV deixarão de ser ambulâncias, perdendo a capacidade de transporte de doentes."

"Chegamos a essa triste realidade. Se estamos a retirar 100 viaturas do INEM, os restantes serviços vão ficar sobrecarregados pelos serviços que estas ambulâncias não vão fazer", insistiu. "Se já há atrasos, principalmente em Lisboa e a Sul do Tejo, isto vai agravar ainda mais."

O porta-voz desafia a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, a dizer se concorda com esta medida; caso não concorde, Rui Gonçalves acredita que a ministra deveria demitir o presidente do INEM, Luís Cabral, e nomear outro conselho diretivo.

Caso não haja resposta até 1 de agosto, serão desenvolvidas "ações de protesto que só cessarão com a reversão destas medidas que estão a destruir o INEM e a sua capacidade de servir os cidadãos", avisou a comissão.

"Não é possível desmantelar a resposta operacional do INEM e esperar o silêncio, a contenção ou a passividade dos seus profissionais", reclamaram, já que se abrem portas para que os "privados possam fazer pré-hospitalar".

Além de exigirem esclarecimentos por parte da ministra da Saúde, os trabalhadores do INEM e o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) apelaram aos presidentes das 71 câmaras municipais afetadas, incluindo Lisboa, Porto, Coimbra, Loulé e Viseu, "para que defendam as suas populações", porque "menos meios significa mais demora no socorro e maior risco para cada munícipe".

Entre os municípios afetados, segundo a comissão do INEM, estão também Braga, Setúbal, Aveiro, Faro, Leiria e Viana do Castelo.

As delegações do Norte, Centro e Sul deixam de constar da nova lei orgânica do INEM, de acordo com o diploma publicado em 16 de julho em Diário da República, mas o presidente do INEM adiantou à Lusa que o novo modelo de funcionamento prevê o reforço da presença da emergência pré-hospitalar nessas regiões, salientando que os estatutos que serão publicados mantêm os Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) nos quatro polos e vão permitir "reforçar a presença dos serviços de apoio no Porto, Coimbra e Algarve com a contratação de mais profissionais".

Para Rui Gonçalves, ou o Governo pensa que "os portugueses não têm um pingo de inteligência", ou há um "favorecimento do privado".

"O que se pede ao Governo é que esclareça, de uma vez por todas, o que quer fazer."

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: