"Tempestade de fogo" inédita em França. "Não venham para Gironda"
- 26/07/2026 18:48
- Redação
A situação está "fora de controlo". O enorme incêndio que continua a devastar o departamento francês da Gironda deu origem a um fenómeno de "tempestade de fogo" — inédito em França — que alimenta as chamas e dificulta o combate ao incêndio, deixando os bombeiros com um sentimento de "impotência".
As autoridades são categóricas: as cerca de 220 mil pessoas deslocadas só poderão regressar às suas casas quando o incêndio estiver controlado. É a maior operação de evacuação desde a II Guerra Mundial.
O combate às chamas já provocou ferimentos em 75 bombeiros, dez dos quais tiveram de ser evacuados.
"Perseguidos pelas chamas". É assim que os habitantes de Arès descrevem o que estão a viver. Em apenas dois dias, foram obrigados a fugir novamente.
Primeiro refugiaram-se num pavilhão desportivo em Marcheprime, mas a localidade acabou também ameaçada pelo incêndio. Seguiu-se uma nova evacuação, desta vez para Sales. Entre os deslocados: vários idosos, pessoas com mobilidade reduzida ou acamadas, transportados de urgência por ambulâncias.
A autarca da região da Gironda, Sophie Brocas, foi clara: o incêndio continua "fora de controlo" e com uma dimensão "nunca antes vista". E mais ainda: "o vento forte que se regista poderá reacender as chamas em zonas já tratadas, onde não foi possível ainda limpar o terreno".
"Tendo em conta a situação atual e aquilo que poderá acontecer nos próximos dias, com a subida acentuada das temperaturas, apelo sinceramente aos turistas que, na véspera das férias de agosto, não venham para Gironda, pelo menos enquanto o incêndio não estiver dominado", afirmou Sophie Brocas.
A autarca pede também aos turistas que já se encontram na região que "ponderem escolher outro destino, porque não podemos excluir um agravamento da situação que nos obrigue a acelerar ainda mais as evacuações".
Polícias e bombeiros são vistos a percorrer aldeias e bairros, de porta em porta, para garantir que todos abandonam as zonas de risco.
Além dos residentes, cerca de 40 mil turistas foram retirados de 45 parques de campismo nos departamentos da Gironda e das Landes.
As imagens televisivas são impressionantes; em Bordéus, cinzas caem sobre a cidade, as ruas estão quase vazias e o céu permanece coberto por uma espessa nuvem de fumo.
É nesta região do sudoeste de França que se encontra uma das maiores florestas da Europa e a vegetação, excecionalmente seca devido às ondas de calor intenso dos últimos meses, arde a uma rapidez extrema.
O porta-voz da Federação Nacional dos Bombeiros, Éric Brocardi, recorreu a um discurso quase bélico para descrever a situação no terreno: "Mais defensiva que ofensiva: é uma estratégia de guerra, estamos constantemente a ser bombardeados e a prioridade é retirar todas as pessoas para um local seguro".
As chamas ameaçam também importantes infraestruturas dos setores aeronáutico, espacial e da defesa que se espalham pela região de Bordéus. Fábricas de pólvora, de mísseis e centros de investigação, alguns dos quais se situam no meio de florestas de pinheiros, perto do Aeroporto de Bordéus.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, convocou para esta segunda-feira uma reunião do gabinete de crise e do Conselho de Ministros.