"Não temos uma Europa à mesma velocidade". Projeto quer travar desigualdades no combate ao cancro

"Não temos uma Europa à mesma velocidade". Projeto quer travar desigualdades no combate ao cancro

  • 27/07/2026 02:00
  • Redação

As desigualdades no acesso aos cuidados oncológicos continuam a atrasar diagnósticos e a condicionar as possibilidades de cura, alerta, esta segunda-feira, Ana Varges Gomes, investigadora do projeto europeu EUnetCCC.

“A dificuldade no acesso faz com que o diagnóstico seja mais tardio. Se o diagnóstico é mais tardio, o prognóstico também vai ser pior", alerta.

Estes centros integram diagnóstico e tratamento, mas também investigação, ensaios clínicos e acesso a novas tecnologias.

“O que pretendemos é que todos os doentes possam ter acesso aos melhores cuidados de saúde possíveis, independentemente do local onde vivam", resume.

Em Portugal, as desigualdades são visíveis entre o interior e o litoral e entre grandes e pequenos centros urbanos. Ana Varges Gomes dá como exemplo as consultas de cessação tabágica, que não estão disponíveis em todo o território nacional.

“Não temos o mesmo número de profissionais de saúde no interior e no litoral”, reconhece.

Para resolver o problema, "não é necessário aumentar o número de profissionais. É preciso melhorar a articulação entre os serviços e entre as instituições", defende Ana Varges Gomes.

O objetivo é garantir “que as pessoas têm a mesma oportunidade, independentemente do código postal”.

O impacto de um diagnóstico tardio pode comprometer a hipótese de cura. Neste Dia Mundial do Cancro da Cabeça e Pescoço, a investigadora explica que cerca de 70% dos doentes continuam a ser diagnosticados numa fase avançada.

“Se diagnosticássemos mais precocemente, 80% dos nossos doentes teriam probabilidade de cura. Quando diagnosticamos em fases mais avançadas, essa taxa desce para 20%", diz.

Portugal deverá ter entre dois e três Centros Compreensivos de Cancro, estima a investigadora. O primeiro funciona no Instituto Português de Oncologia do Porto.

A intenção é que estas unidades funcionem como polos de uma rede nacional, articulados com hospitais e centros de saúde, para partilhar protocolos, discutir casos e encaminhar apenas os tratamentos que exigem maior especialização.

“Se for um tratamento que pode ser feito na proximidade, será feito na proximidade. Mas o doente é discutido e tem acesso a tudo aquilo a que os doentes do centro têm acesso”, explica.

Para Ana Varges Gomes, as prioridades passam agora por reforçar a literacia em saúde, aumentar a adesão aos rastreios e facilitar o acesso aos cuidados.

“Temos de ter cada vez mais casos diagnosticados precocemente, para podermos ter mais sucesso na cura destes doentes”, conclui.

  • Fonte: Rádio Renascença
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