"Sem ele, seria impossível uma equipa funcionar". Nelson Oliveira, o primeiro a terminar 24 grandes voltas consecutivas

"Sem ele, seria impossível uma equipa funcionar". Nelson Oliveira, o primeiro a terminar 24 grandes voltas consecutivas

  • 27/07/2026 09:57
  • Redação

A última etapa do Tour de France, nos Campos Elísios, consagrou o quinto título de Tadej Pogacar e uma vitória épica de Mathieu van der Poel. Mas foi também palco do recorde do português Nelson Oliveira, o primeiro na história a concluir 24 grandes voltas sem qualquer desistência ou desclassificação.

O caminho do português de Anadia começou na Volta a Espanha de 2011. Desde então, esteve dez vezes na Volta a França, mais nove na Vuelta e quatro no Giro d'Itália. Nunca desistiu, nunca foi forçado a abandonar por uma queda, nunca foi desclassificado, nunca chegou fora do corte de tempo.

A consistência do ciclista de 37 anos conferem-lhe um recorde que, na opinião de Cândido Barbosa, presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, será difícil de ser superado.

"Desde cedo que ele demonstrou o seu profissionalismo e entrega à modalidade. São 24 voltas sem desistir, sem grandes chatices. Será muito difícil de ser batido, até porque hoje em dia os ciclistas têm menos dias de competição por época. O Nelson ainda é do tempo de 90 dias de prova por época", considera.

Nelson é um rolador de excelência. Nunca foi líder das equipas, mas é fundamental no apoio aos seus líderes: "Tem uma seriedade e entrega pura, é um dos melhores équipiers."

"É isso que o define, existem muito poucos como ele no mundo. Foi ficando vincado pela sua postura, pelo companheirismo dele. Eu corri na mesma estrutura e o feedback que recebo é que ele sempre foi um senhor", acrescenta Barbosa.

Olivier Bonamici concorda. O especialista na modalidade acredita que o ciclismo não vive apenas das vitórias épicas de Tadej Pogacar e dos "sprints" gloriosos de Merlier e Jasper Philipsen.

Apesar da longevidade no ciclismo do mais alto nível, Nelson "não é conhecido internacionalmente e está longe de ser um João Almeida", mas o feito ficará para a história.

"É fundamental a acompanhar o seu líder, nunca abandonou em 24 voltas. Sempre foi fiel a Enric Mas e aos outros líderes da equipa. Sem ele, seria impossível uma equipa funcionar. Hoje fala-se muito das estrelas, como Pogacar, Vingegaard, Isaac del Toro, João Almeida, mas é bom lembrar que o ciclismo também é feito de estrelas como o Nelson Oliveira", acrescenta.

Aos 37 anos, Nelson Oliveira conta com seis vitórias na carreira: cinco títulos nacionais, dos quais quatro foram no contrarrelógio, e uma na Volta a Espanha, em 2015.

O "crono" sempre foi especialista e chegou a fazer pódio em contrarrelógios na Volta a França e Espanha. Cândido Barbosa elege-o como um dos melhores da história de Portugal na disciplina.

"Quando lhe davam liberdade no contrarrelógio, ele chegou a andar muito bem, depois de andar a trabalhar do princípio ao fim nas etapas. O 'crono' ainda é uma das suas altíssimas qualidades. Foi um dos, se não o melhor, contrarrelogista de sempre em Portugal", atira.

A Federação Portuguesa de Futebol quer homenagear Nelson Oliveira, embora ainda ache "prematuro pensar-se nisso".

"Ele merece todas as homenagens e que, no futuro próximo, possa ficar ligado à modalidade. O ciclismo precisa de pessoas como o Nelson", conclui.

  • Fonte: Rádio Renascença
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