Johnson & Johnson anuncia acordo de quase cinco mil milhões por caso de cancro ligado a talco
- 27/07/2026 19:18
- Redação
Trata-se de um acordo histórico que pretende pôr fim a um longo capítulo de litígios que tem afetado a empresa durante uma década.
A J&J afirmou que o acordo abrange cerca de 69 mil processos consolidados num tribunal federal em Nova Jérsia, bem como processos relacionados em tribunais estaduais, representando, no total, 99,75% das reclamações ainda pendentes relacionadas com os produtos de talco.
O acordo terá ainda de ser aprovado pelo juiz responsável pelo processo federal.
O vice-presidente de contencioso da J&J, Erik Haas, afirmou que as alegações são "desprovidas de fundamento" e que a empresa aceitou chegar a acordo para encerrar definitivamente esta questão.
"Embora estejamos confiantes de que a empresa acabaria por prevalecer caso o litígio prosseguisse, tal como aconteceu na grande maioria dos casos julgados até à data, esta resolução permite à empresa deixar este assunto para trás e manter o foco na sua missão de desenvolver medicamentos e dispositivos médicos que salvam vidas", declarou Haas.
Na semana passada, a J&J obteve uma importante vitória judicial neste longo processo, quando um juiz federal colocou em causa a capacidade dos autores das ações de demonstrarem que o talco, em concreto, foi a causa do seu cancro do ovário.
A J&J tem negado consistentemente que os seus produtos à base de talco provoquem cancro, defendendo que o talco é seguro e não contém amianto. A empresa deixou de vender pó de talco para bebé à base de talco nos Estados Unidos da América (EUA) em 2020, substituindo-o por um produto à base de amido de milho.
Os processos judiciais foram retomados em março de 2025, após terem estado suspensos durante mais de três anos devido às sucessivas tentativas falhadas da J&J de resolver os litígios através da declaração de insolvência de uma empresa criada para esse efeito.
Ao contrário das propostas de acordo apresentadas no âmbito do processo de insolvência, o acordo anunciado esta segunda-feira aplica-se apenas às reclamações já existentes e não abrange eventuais ações judiciais futuras.