Hepatite A dispara em Portugal com mais de mil casos em 2025
- 28/07/2026 02:00
- Redação
Portugal registou um aumento expressivo de casos de hepatite A em 2025, com 1.164 infeções confirmadas, mais 845 do que no ano anterior, o que representa uma subida de 265%.
O diretor do Programa, o hepatologista Rui Tato Marinho, sublinha que os dois focos já eram conhecidos das autoridades de saúde. “Temos dois focos epidémicos: pessoas com condições de higiene deficitárias, nómadas e grupos de homens que têm sexo com homens”, afirma, referindo que neste último grupo podem existir comportamentos de risco associados, nomeadamente a sexo sem proteção.
Além destes dois surtos, foram identificados outros 28 de menor dimensão, responsáveis por 150 casos confirmados, na maioria associados à transmissão pessoa a pessoa. DE acordo com a DGS a epidemiológica está em resolução devido às medidas implementadas, entre as quais o rastreio e acompanhamento de contactos e o reforço da vacinação em grupos mais vulneráveis.
Apesar deste aumento, Rui Tato Marinho considera que a evolução da hepatite A por surtos não é inesperada e tem sido observada também noutros países europeus. “Há anos em que há mais casos e depois diminui”, refere.
De acordo com o relatório, Portugal atingiu uma taxa de cura de 97% nos doentes com hepatite C tratados desde a implementação da estratégia de acesso universal à terapêutica, há uma década. Mais de 38 mil pessoas tiveram acesso ao tratamento, com impacto comprovado na redução dos internamentos, dos casos de cirrose hepática, dos transplantes hepáticos e da mortalidade associada à doença.
Para a DGS, esta é uma das políticas de saúde pública mais bem-sucedidas das últimas décadas em Portugal.
Rui Tato Marinho diz que os resultados observados “confirmam na vida real os ensaios clínicos iniciais”, sublinhando que “os tratamentos apresentam uma eficácia próxima dos 100%”. O especialista destaca ainda “taxas de cura na ordem dos 98% entre a população reclusa que adere à terapêutica”.
O relatório destaca, também, uma redução significativa da prevalência da hepatite C entre doentes em hemodiálise, passando de 160 casos em 2017 para apenas 14 em 2025.
Segundo a DGS, estes resultados demonstram a eficácia dos programas de rastreio e tratamento, bem como das campanhas de sensibilização desenvolvidas em parceria com organizações da sociedade civil.
Relativamente à hepatite B, Portugal mantém coberturas vacinais superiores a 98%, posicionando-se entre os países com melhores indicadores a nível mundial. Contudo, pelo segundo ano consecutivo, registou-se um aumento das notificações de casos confirmados, situação que as autoridades de saúde associam, em parte, ao crescimento de casos importados.
Segundo Rui Tato Marinho, Portugal tem “das melhores coberturas da Europa e do mundo”, resultado da vacinação universal dos recém-nascidos nas primeiras horas de vida. O médico defende ainda que os adultos façam pelo menos uma vez na vida o teste às hepatites B e C e ponderem a vacinação quando indicada. De resto o médico sublinha como positivo o facto de os Cuidados de Saúde Primários registarem um a aumento da vacinação entre adultos.
A DGS alerta para a necessidade de reforçar a vigilância epidemiológica, a vacinação e o rastreio, sobretudo junto das populações mais vulneráveis. Já Rui Tato Marinho aponta como prioridades “o aumento do número de testes, o reforço da intervenção junto de consumidores de drogas e da população prisional e a redução do tempo entre a prescrição e o acesso ao tratamento da hepatite C, atualmente com uma média de cerca de dois meses”.
Apesar dos resultados positivos alcançados, o relatório identifica desafios que persistem, nomeadamente a melhoria do diagnóstico precoce e o reforço da literacia em saúde hepática. O especialista recorda ainda que “a prevenção e o tratamento das hepatites B e C contribuem para reduzir o risco de cancro do fígado, um dos mais letais a nível mundial”.