Seis meses depois da tempestade Kristin, "ainda há telhados com lonas" em Leiria
- 28/07/2026 03:00
- Redação
Meio ano após a passagem da tempestade Kristin pela região Centro, ainda são visíveis os estragos que o forte vento e a chuva intensa provocou no concelho de Leiria.
O principal problema continua a ser "a falta de mão de obra" para reabilitar as casas que a tempestade destruiu.
"Aquilo que ouvimos das pessoas com quem falamos sobre este assunto é que há dificuldade em arranjar mão-de-obra para executar estes trabalhos. Muitas vezes, não é uma questão financeira, é mesmo o problema da mão-de-obra", aponta o autarca de Leiria.
Esta é uma das razões que explica que haja muitas intervenções em curso. "Muitas destas freguesias têm muita emigração e, portanto, é neste período de julho e agosto que os emigrantes regressam e têm a oportunidade de poderem acompanhar estes trabalhos ou de eles próprios os realizarem".
Paralelamente, há também "os atrasos nos apoios atribuídos pelo Estado e nas indemnizações das companhias de seguros", o que faz com que "a reconstrução das habitações esteja mais demorada".
"Estão ainda por analisar 2.350 candidaturas e a perspetiva que temos é a de concluir este processo no mês de setembro", diz Gonçalo Lopes
O autarca revela que, quanto a materiais resultantes da destruição de habitações, entre o mês de fevereiro até fim de junho, "foram retiradas cerca de seis mil toneladas de resíduos".
"É um valor assustador e que tínhamos a sensação de que iria abrandar fortemente, mas a verdade é que continuamos a verificar que, em muitos dos pontos, a recolha destes materiais destruídos continua a acontecer".
"É uma operação que ainda decorre" e "é uma outra evidência de como o processo ainda está em curso no que respeita à reconstrução das casas".
No que respeita à limpeza da área florestal, onde ainda há toneladas de madeira um pouco por toda a região de Leiria, o autarca conta que "o trabalho que se desenvolveu inicialmente foi muito direcionado para a desobstrução de vias florestais", tendo sido possível "fazer essa desobstrução em cerca de 87% da sua extensão" pelo que o concelho "tem hoje os caminhos desimpedidos".
"Tendo em conta que o concelho tem uma área de floresta tombada aproximada de 10 mil hectares, que corresponde mais ou menos à dimensão do concelho de Lisboa, a limpeza tem de ser feita por fases", destaca.
"Era impossível ter feito tudo nestes seis meses", pelo que foi necessário "fazer opções" e "tomar decisões de gestão", dando prioridade "às zonas mais perigosas", colocando-as "em primeiro lugar".
Relativamente à parte económica, "houve uma resposta extraordinária do setor empresarial de Leiria", o que é, diz o autarca, "um fator bastante positivo".
"Houve uma forte união em torno da economia", com muitas empresas "a manter a sua atividade", sendo "poucas as empresas que encerraram", confirma Gonçalo Lopes.
"Algumas estão a trabalhar ainda com as naturais limitações, mas a reação foi extremamente positiva", sublinha, reforçando: "Todos aderiram a este princípio da necessidade de união para reerguer o concelho."
"Há também quem já tenha recebido dinheiro dos seguros, o que fez com que a atividade retomasse, e até houve empresas que ajudaram empresas concorrentes a manterem os seus compromissos comerciais."
"Isso fez com que não perdêssemos, em termos de PIB, um valor que fosse catastrófico para a região, o que permitiu garantir os postos de trabalho", remata.