Nelson Oliveira: "Se a cabeça permitir, gostaria de continuar a correr"

Nelson Oliveira: "Se a cabeça permitir, gostaria de continuar a correr"

  • 28/07/2026 05:40
  • Redação

Concentração e escapar ao azar das quedas mais duras. São os segredos de Nelson Oliveira que, no domingo, tornou-se o único ciclista da história a terminar 24 grandes voltas sem qualquer desistência de forma consecutiva.

Por agora, tem contrato por mais uma temporada com a Movistar e conta com a chance de dilatar o recorde. Assume também o objetivo de continuar a correr se a cabeça e o corpo permitirem.

De regresso a Portugal, Nelson Oliveira vai agora desfrutar de um breve período de descanso após as 21 duras etapas do Tour de France. Segue-se a Volta à Alemanha, de 19 a 23 de agosto, antes das clássicas no Canadá.

São 24 grandes voltas sem desistências. Deve ter sabido bem chegar aos Campos Elísios no domingo...

Sim, muito bem. Era um dos objetivos: conseguir chegar ao fim de mais uma grande volta, são e salvo. Só tenho de estar grato por isso.

Deu para desfrutar de Montmartre? A última etapa agora tem um perfil diferente. Como é que a viveu?

Sim, deu para desfrutar muito. A subida dá realmente um ambiente diferente à chegada a Paris. São muitas pessoas ali, é muita gente, faz-me desfrutar ainda mais do dia.

Há algum segredo para esta longevidade? Não pode ser só coincidência não cair forte, nunca desistir.

Eu acho que não há segredo. Costumo dizer que é não ter o azar de cair, ou ficar doente, e infelizmente ter de abandonar uma grande volta. Também muitas vezes está relacionado com o foco durante a corrida, muitas vezes perdemos um pouco e podemos facilmente cair e deitar tudo a perder. Tenho tido essa calma, essa tranquilidade.

Há alguma sorte envolvida também, presumo. Muitas vezes os ciclistas caem porque alguém logo à frente cai e não dá para evitar...

Eu caí muitas vezes, praticamente em todas as grandes voltas. O importante é conseguir levantar-me e seguir. Mas normalmente também se diz que vamos em busca da sorte. O bom é não ter azar.

Foi reconhecido de alguma forma pelo Tour ou pela Movistar? Houve alguma celebração?

Sim, na equipa sim. Estava empatado com um ciclista nas 23 grandes voltas sem desistir uma única vez. Acaba por ser um feito que, até hoje, não tinha sido conseguido por ninguém e felizmente coube-me a mim.

O Tour está cada vez mais rápido. Como é lidar com todas estas mudanças, tão rapidamente?

Começa a ser cada vez mais difícil, o ciclismo evoluiu muito. As bicicletas são mais rápidas, mais aerodinâmicas. A alimentação foi o que provavelmente mais mudou. Há dez anos, quase não havia nutricionistas. Agora, há um foco grande na nutrição. Se o depósito for vazio, não vamos rápido porque acaba a gasolina rapidamente. Isso faz com que a gente vá mais rápido, claro.

Não, em princípio não. Devo ir fazer a Volta à Alemanha, depois devo ir fazer as clássicas no Canadá e, possivelmente, o Mundial, que também é em Montreal.

Sim, esperemos. Tenho mais esse ano de contrato, mas quero agora viver dia a dia, competição a competição e desfrutar do que me resta no ciclismo.

Ainda não sei, ainda está bastante em aberto. Quero pensar no ano que vem. Só aí é que penso no seguinte. Depende da época, de como me sentir fisicamente. E mentalmente, também. Se a cabeça o permitir, gostaria de continuar, sim.

Só fiz em 2010. Não sabia disso. Se surgir a oportunidade, correria com todo o gosto.

  • Fonte: Rádio Renascença
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