Construbarcelos no topo das construtoras com mais contratos e dinheiro ganho no mandato de Luís Neves na PJ
- 28/07/2026 12:00
- Redação
A Construbarcelos é a empresa de João Carvalho, amigo pessoal do atual ministro da Administração Interna, que está envolvida nas polémicas obras no monte alentejano de Luís Neves e também na posse do atrelado de um camião envolvido num caso de tráfico de droga e que acabou estacionado junto às instalações da empresa de Barcelos.
Em relação ao número de contratos, no período em análise há duas empresas que se destacam cada uma com 17 ganhos. Trata-se da já falada Construbarcelos e a Sotécnica, empresa que pertence ao grupo francês Vinci. Em terceiro lugar e com 12 contratos, aparece uma empresa do concelho de Loures, a Electrosolução.
Mas se olharmos para quem mais ganhou com contratos com a PJ em empreitadas, salta para a liderança a bracarense DST, a Domingos da Silva Teixeira (nome do fundador do grupo), liderada atualmente por José Teixeira. Mas em segundo lugar, ainda que a distância considerável, está a Construbarcelos.
A DST teve em sete anos empreitadas de pouco mais de 11 milhões de euros, mais de cinco vezes mais do que a Construbarcelos, que angariou nos 17 contratos já referidos 2,3 milhões de euros.
A contratação excluída é uma forma de contratação pública especial que implica a consulta de apenas uma entidade. Dos 17 contratos, nove foram feitos com essa forma de contratação que valeram uma receita total de 1.445.993,96 euros. Ou seja, 61% do valor total.
Algo que não é singular no processo de contratação da PJ, segundo os dados enviados por aquela polícia, e isso atesta-se a olhar para os números da DST.
Em apenas três contratos soma 5,7 milhões de euros (um no valor de 4,8 milhões de euros, outro de 535 mil euros e um terceiro de 386 mil euros) em que foi usada contratação exclusiva. Contas feitas, em metade do valor foi usada esta figura de contratação sem concorrência.
No total, em seis anos, a Judiciária gastou pouco mais de 27 milhões de euros, uma média de 4,5 milhões de euros ao ano, com empresas de construção civil.
A resposta foi a de que a Judiciária “celebrou 82 contratos” através da contratação excluída. Valor que representa 35% das vezes em que quis contratar uma empreitada. A empresa do amigo de Luís Neves vale 11% do total de vezes em que foi contratada uma empresa sem concorrência.
E justifica-o com o facto de estes contratos exigirem "especiais medidas de segurança” ou serem situações em que a divulgação "seria suscetível de comprometer interesses essenciais de segurança do Estado”.
A certificação de segurança para a realização deste tipo de obras, esclarece a PJ, “é emitida e gerida pelo Gabinete Nacional de Segurança, entidade competente nessa matéria”.
Para explicar o porquê de estes projetos serem adjudicados sem concorrência, aquela Polícia escreve “que estes projetos contêm informação sobre a configuração dos edifícios, redes técnicas, acessos, compartimentação, sistemas de proteção e outras infraestruturas relevantes para a respetiva segurança”.
Este caso, relembre-se, começou quando se soube que uma obra privada do ministro da Administração Interna em São Teótonio, em Odemira, fora atribuída a uma empresa que faturou cerca de dois milhões de euros, entre 2019 e 2025, com a PJ.