Pedidos de reapreciação de exames triplicam e já são mais de 20 mil

Pedidos de reapreciação de exames triplicam e já são mais de 20 mil

  • 28/07/2026 13:50
  • Redação

Já são mais de 20 mil os pedidos de reapreciação de exames do ensino secundário na primeira fase, mais do triplo do ano passado.

Os números foram avançados esta terça-feira pelo ministro da Educação, Fernando Alexandre, que indicou que já deram entrada "mais de 20 mil pedidos de reapreciações", atribuindo o aumento "ao novo modelo de classificação".

Com a digitalização das provas, os professores deixaram de classificar os exames completos e agora apenas têm acesso a um dos itens da prova. Na reapreciação, os professores classificadores não são os mesmos que classificaram o exame e têm acesso a toda a prova.

Nos exames deste ano, mais de 20 mil notas terminaram em 0,4 valores e cerca de 2.400 alunos tiveram uma classificação de 9,4 valores, o que para o ministro é "uma tentação grande em pedir a reapreciação da prova".

"No ano passado não tínhamos praticamente nenhuma nota entre os 9 e os 9,5 valores, porque era um professor só a corrigir os exames. Agora, como somamos as várias respostas que compõem o exame e cada classificador faz a classificação sem ter a visão global do exame, o que resulta numa avaliação mais objetiva", há mais notas que ficam a poucas décimas da aprovação (com 9,5 valores o aluno fica aprovado), disse o ministro na segunda-feira.

O número de reapreciação deverá ainda aumentar, já que o prazo ainda está a decorrer para os alunos que tiveram acesso às provas mais tarde.

O ministro revelou também que mais de uma centena de professores da zona de Lisboa foram convocados para classificar exames nacionais, mas estavam de férias ou baixa médica.

"Ainda ontem, na região de Lisboa, identificámos 111 professores que estavam escalados, foram convocados, mas estão de férias ou de atestado médico e por isso não estavam disponíveis", afirmou o ministro, insistindo na necessidade de um novo modelo de seleção.

Para Fernando Alexandre, é preciso desenhar "um novo modelo", uma vez que o atual processo de seleção "é extremamente ineficiente".

Apesar da crítica, Fernando Alexandre sublinhou que a classificação da segunda fase dos exames nacionais está a correr bem: Todos os itens já foram distribuídos e "20% das provas já estão corrigidas", afirmou.

O ministro disse esperar que a 2.ª fase de classificação "decorra com normalidade", ao contrário da 1.ª fase, que registou vários problemas que atrasaram o processo de classificação e divulgação das classificações.

Milhares de alunos tiveram de esperar vários dias para ter acesso às suas notas, havendo ainda "dezenas de casos" por resolver, afirmou hoje o ministro em declarações aos jornalistas no final da cerimónia de tomada de posse do novo presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), que decorreu na Assembleia da República.

"Temos umas dezenas de casos que se arrastaram por desconformidades. Todas as desconformidades estão tratadas e esse trabalho está agora a ser tratado com os agrupamentos e com os alunos", disse Fernando Alexandre, onze dias depois do prazo estabelecido para a divulgação das notas.

Sublinhando não querer "desvalorizar o efeito que teve em cada aluno individualmente", o ministro voltou a sublinhar que foram detetados problemas em 820 provas num universo de mais de 290 mil.

"Os casos estão a ser tratados cada um individualmente e penso que estamos a aproximar-nos do final muito rapidamente", acrescentou, voltando a garantir que "nenhum aluno será prejudicado".

Apesar dos problemas com todo o processo de digitalização e classificação dos exames, o calendário da 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior manteve-se inalterado, estando a decorrer as candidaturas até 6 de agosto.

No entanto, haverá em setembro uma época extraordinária de exames para os alunos afetados pelo processo de digitalização.

  • Fonte: Rádio Renascença
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