FIFA quer abrir gestão de direitos comerciais dos seus torneios a investimento externo

FIFA quer abrir gestão de direitos comerciais dos seus torneios a investimento externo

  • 28/07/2026 14:27
  • Redação

A FIFA anunciou, esta terça-feira, que pretende convidar investimento externo numa subsidiária, a FIFA Forward Enterprise (FFE), que passaria a controlar os direitos comerciais (transmissão e patrocínios) das suas competições, com "todos os lucros" a serem reinvestidos no futebol.

No comunicado publicado no site oficial, a FIFA confirma que o plano, que terá de ser aprovado pelas federações-membro e pelo Conselho da FIFA, é "convidar terceiros a fazer investimentos minoritários e não controladores" na FFE. Os investidores seriam selecionados conforme critérios "claros de longo prazo, de governança e estratégicos".

"A FIFA reteria controlo a solo da FFE, através de representação maioritária, e autoridade exclusiva sobre a governação do futebol, das competições, do calendário de jogos internacionais, e de todas as decisões regulatórias e desportivas", pode ler-se.

Embora as ligações a Trump não sejam explicitamente referidas no comunicado, a FIFA menciona que, caso o plano seja aprovado, a Thrive Eternal, uma sociedade gestora de participações sociais, deverá "liderar o grupo de investidores proposto para a FFE". O fundador da Thrive Eternal é Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, por sua vez genro do Presidente dos EUA.

Ainda assim, a FIFA salienta que a sua administração e presidente "têm o dever de controlar o desenvolvimento deste projeto".

"Investidores externos só terão uma participação minoritária na FFE e não desempenharão qualquer papel operacional. Além disso, estarão a investir numa subsidiária da FIFA e não na própria FIFA. Para a FIFA, nada muda", conclui o organismo, no comunicado.

Em comunicado, o organismo que tutela o futebol europeu salienta que o anúncio da FIFA "atravessa uma linha que as instituições que governam o futebol nunca deveriam atravessar".

"A UEFA leva este anúncio de forma extremamente séria. Todas as federações nacionais de futebol também o deveriam fazer, assim como cada acionista que se importa com o futuro do futebol. A alma e a governação do futebol não são bens comercializáveis — muito menos com zero transparência sobre quem ganha financeiramente. Nenhum de nós é dono do futebol. O futebol não é da FIFA para vender", lê-se.

A FIFA argumenta que este plano permitirá aumentar o financiamento a cada federação-membro de oito para 20 milhões de dólares (cerca de 16 milhões de euros) no ciclo 2027-2030. Seriam fundos canalizados para infraestruturas, treinadores, seleções, competições, formação e futebol feminino.

Como parte da criação da FFE, a FIFA também estabeleceria o FIFA Fast Forward Programme (FFFP), um "mecanismo opcional que permitiria que as federações-membro (MA) desbloqueassem fundos adicionais de desenvolvimento". Cada uma das 211 MA que respondem ao organismo teriam a "oportunidade de participar", de forma facultativa, no FFP para aceder a capital extraordinário de 20 milhões de dólares.

  • Fonte: Rádio Renascença
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