"Há obras que não podem esperar pelo PTRR, como as escolas", avisa autarca de Leiria
- 28/07/2026 18:06
- Redação
O autarca — eleito pelo PS — esteve esta terça-feira num périplo pelas obras que estão a reerguer o concelho, no dia em que se assinalaram os seis meses da passagem da Kristin. O pavilhão é prova disso, vai ficar melhor do que o que estava quando terminarem os trabalhos.
Que balanço é que faz da recuperação, meio ano depois, como é que está o concelho?
Estamos hoje numa fase que é de reconstrução, que passa pelo projeto de Reerguer Leiria, onde temos várias frentes de trabalho, questão ambiental, com a recolha de resíduos, resultantes das casas destruídas, uma operação que decorre desde o primeiro dia e que parece que nunca mais acaba. Temos operações também de obras no associativismo, como é o caso do clube dos Barreiros, que ficou sem cobertura e já está a fazer a sua intervenção no pavilhão. Mas também visitámos e queríamos apontar a importância que demos aos equipamentos escolares. As escolas que ficaram destruídas e onde os alunos tiveram que ser deslocados, neste verão estamos a terminar essas intervenções para que o início do ano letivo voltem a funcionar
Há um esforço grande do município em conseguir despachar todos os processos de candidaturas entregues pelos particulares para a recuperação das suas casas. Tivemos perto de 11 mil candidaturas e já analisámos aproximadamente 8.500, em setembro queremos esse processo concluído.
Na contabilidade dos estragos, o impacto para o país foram aproximadamente 5.300 milhões de euros. Em Leiria tem uma noção de quanto é que foram os danos totais?
Nós tivemos um levantamento de danos, naquilo que diz respeito ao património municipal e também das associações, que ronda os 240 milhões de euros.
Sem contar com as casas, portanto, tudo o que depois soma a esse valor tem a ver com património particular, onde estão as casas e as indústrias e, portanto, todo o setor económico, hotéis, etc.
Se juntarmos a isso o prejuízo com a floresta, que ainda está por contabilizar, porque o prejuízo é enorme, estamos a falar de um montante que pode chegar a mil milhões de euros, o que representa uma parte significativa dos danos totais, que anda sempre à volta dos 25% ou 30% do total. Leiria foi no fundo o epicentro dos prejuízos e da desgraça da tempestade de Kristin, a par da Marinha Grande, que foi o sítio por onde entrou a tempestade.
Seis meses depois, como é que um autarca de um dos concelhos mais afetados avalia prestação do Governo na ajuda que teve de dar ao conselho?
A Câmara Municipal fez o que lhe competia, até fez mais do que lhe criou as suas competências.
Nós estamos praticamente há seis meses: não a anunciar o que vamos fazer, nós estamos a fazer. Tudo o que falta fazer neste momento precisa mesmo de apoio que seja proporcional à dimensão da catástrofe. O pedido que fazemos ao Governo é que olhe para este território afetado e que consiga encontrar os mecanismos necessários para continuar esta tarefa.
O que fizemos até aqui é o que está ao nosso alcance. A Câmara de Leiria gastou durante estes seis meses aproximadamente 38 milhões de euros, recebeu do Estado aproximadamente 11 milhões de euros. Há um esforço dos municípios que tem que ser rapidamente compensado com uma nova tranche de apoio para conseguirmos libertar o nosso orçamento para aquilo que é a nossa atividade normal. Felizmente a Câmara de Leiria tem as contas e tem as contas em dia, mas há projetos que ficaram adiados em virtude da tempestade.
Neste momento é fundamental é que o Estado central, através das CCDR's ou através dos mecanismos próprios, consiga dar um passo importante, que não seja só o PTRR, que é muito importante para o país no seu todo, mas que há obras que não podem esperar pelo PTRR, como é o caso da recuperação das escolas.
Estamos a falar de cinco escolas que precisam de investimentos, muitos deles superiores a 5 milhões de euros, e não podem aguardar por um aviso, candidatura, avaliação, formalização de um contrato, e só depois a libertação do apoio.
Nós precisamos de obras com mais rapidez do que nos outros sítios porque temos situações de profunda destruição, temos estradas ainda por reparar.
Há uma parte, por exemplo, da floresta cujo apoio foi libertado e que nos permitiu já fazer parques de madeira, contratar equipas, essa é uma área onde o Estado reagiu com rapidez, com eficácia. Há uma parte das construções associadas aos equipamentos críticos, como é o caso das escolas e da rede viária, que neste momento precisa de um apoio mais concreto e imediato para reerguer. Não é uma crítica, é um sinal que queremos transmitir.