Nova onda de calor atinge Espanha e França. Portugal escapa, mas há um alerta para agosto
- 29/07/2026 01:00
- Redação
Uma nova onda de calor chega esta quarta-feira a Espanha e França, com as temperaturas a poderem ultrapassar os 40 graus em algumas regiões. São esperadas temperaturas na casa dos 35 graus, ultrapassando os 40, em alguns casos.
Esta quarta onda de calor na Europa deverá permanecer até sábado, mas o climatologista Carlos da Câmara diz que Portugal deverá escapar, o que se explica pela reduzida dimensão do país e pela presença próxima do oceano: "Felizmente para Portugal, vamos estar um pouco ao abrigo. Como estamos no extremo ocidental da Europa, num sistema da dimensão da cúpula de calor, mais 300 quilómetros ou menos 300 é insignificante."
O climatologista explica também que todas estas ondas de calor resultam do mesmo mecanismo: um núcleo de altas pressões que se instalou sobre a Europa e que praticamente não desaparece do sitio.
"Acaba por uma espécie de um motor que comprime ar de cima para baixo — como a pressão aumenta à medida que nos aproximamos da superfície, o ar ao ser empurrado para baixo, vai ser comprimido e aquece. E agora este mecanismo acontece e permanece no mesmo sítio devido às alterações climáticas, que estão a ser responsáveis por temperaturas anomalamente elevadas, quer no Oceano Atlântico, como no Mar Mediterrâneo", diz, sublinhando que, no Mediterrâneo, as temperaturas chegam a estar seis graus acima da média.
Apesar de afastar a possibilidade de esta onda de calor poder afetar Portugal durante estes dias, Carlos Câmara não afasta o mesmo cenário para o mês de agosto.
"Eu não excluo a possibilidade de a cúpula se deslocar mais para o oeste e nós virmos a ser afetados por uma onda de calor que seria, de facto, muito complicada, nomeadamente no que respeita a incêndios rurais. Porque o que vai acontecer à estação é que ela, de uma forma continuada, como é de esperar ao longo do verão, vai-se tornar cada vez mais seca. E se se juntarem ventos fortes, que é também, infelizmente, algo que acompanha muitas vezes as ondas de calor, irá proporcionar, não só o desenvolvimento, como a propagação de grandes incêndios", afirma o climatologista.