Luís Neves e Construbarcelos. “Dimensão dos contratos com a PJ levam a ainda maior necessidade de escrutínio”
- 29/07/2026 03:43
- Redação
A Construbarcelos é a empresa de João Carvalho, amigo pessoal do atual ministro da Administração Interna, que está envolvida nas polémicas obras no monte alentejano de Luís Neves e também na posse do atrelado de um camião envolvido num caso de tráfico de droga e que acabou estacionado junto às instalações da empresa de Barcelos.
Em relação ao número de contratos, no período em análise há duas empresas que se destacam cada uma com 17 ganhos. Trata-se da já falada Construbarcelos e a Sotécnica, empresa que pertence ao grupo francês Vinci.
Para Batalha, o atual ministro da Administração Interna, Luís Neves, “deveria sempre ter evitado ter relações de negócio particular com qualquer fornecedor da Polícia Judiciária”.
“E, obviamente, mais ainda devia ter evitado quando esse fornecedor tem uma relação muito próxima com a Polícia Judiciária, é um dos grandes beneficiários de contratos da Polícia Judiciária, e sendo uma empresa de dimensão relativamente modesta, os contratos com a Polícia Judiciária têm também uma grande relevância no volume de negócios da empresa. Portanto, obviamente, tudo isto devia ter sido evitado”, assinala.
A dimensão da relação, na opinião do vice-presidente da Frente Cívica conta. “Qualquer relação com qualquer fornecedor da Judiciária é má, é problemática, com um grande fornecedor da Polícia Judiciária e que tenha na Polícia Judiciária um grande cliente, ainda mais devia ter sido evitada”, reforça, acrescentando que “é óbvio que tudo isto, leva a suspeitas e todas as demoras em esclarecê-las , correm contra a reputação e a autoridade do Ministro”.
Se olharmos para quem mais ganhou com contratos com a PJ em empreitadas, salta para a liderança a bracarense DST, a Domingos da Silva Teixeira (nome do fundador do grupo), liderada atualmente por José Teixeira. Mas em segundo lugar, ainda que a distância considerável, está a Construbarcelos.
A DST teve em sete anos empreitadas de pouco mais de 11 milhões de euros, mais de cinco vezes mais do que a Construbarcelos, que angariou nos 17 contratos já referidos 2,3 milhões de euros.
A Construbarcelos celebrou, entre 2019 e 2025, 17 contratos com a PJ pelos quais cobrou 2,3 milhões de euros. Apenas em três teve concorrência. A grande maioria, no valor de 1,4 milhões de euros sou a figura da contratação excluída.
João Paulo Batalha compreende o argumento, mas contrapõe: “Estamos a falar de instalações sensíveis, mas não obrigam a que os contratos sejam feitos em circuito fechado”.
“É perfeitamente possível fazer concurso público com prévia qualificação, aliás, uma das obras terá sido precisamente feita nesse modelo, em que só podem concorrer aos concursos públicos empresas que tenham a dita credenciação do Centro de Segurança, para garantir o sigilo de questões técnicas da obra que envolvam a segurança das instalações”, assinala.
Por isso, conclui que “as necessidades especiais de segurança que são legítimas” na Polícia Judiciária “não justificam, por si só, contratações em circuito fechado”.