Os áudios de Pedro Proença sobre os casos judiciais do Benfica e os árbitros: entenda o caso

  • 29/07/2026 07:25
  • Redação

A poucos dias da Supertaça entre FC Porto e Torreense e do arranque do campeonato, o futebol nacional testemunha mais uma vez um abraço entre a suspeição e as perguntas que não são respondidas.

Estão a circular, desde a tarde de terça-feira e principalmente depois da publicação no jornal “Record”, três pequenos áudios supostamente de Pedro Proença, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Nesses documentos, alegadamente gravados aquando da sua campanha para a presidência da FPF numa reunião com elementos do Benfica e ainda enquanto presidente da Liga Portugal, pode ouvir-se o dirigente e ex-árbitro a comentar o nível da arbitragem em Portugal e a descrever negativamente José Fontelas Gomes, antigo presidente do Conselho de Arbitragem.

Num dos áudios é possível escutar um discurso mais exaltado com alguém chamado “Seara”, que permite a conclusão de que se trataria de Fernando Seara, o então presidente da Mesa da Assembleia Geral do Benfica.

Os áudios não têm qualquer contexto e não é possível garantir a veracidade dos mesmos, pelo menos enquanto os protagonistas não se pronunciarem. Dito isto, avancemos para o conteúdo dos mesmos (disponível em cima, no play na imagem de capa deste artigo).

“Os árbitros são fracos, são todos muito fracos. E tu consegues ter três, quatro gajos minimamente competentes... (...) o Artur [Soares Dias], o [João] Pinheiro, metes o tipo do Algarve [Nuno Almeida], e depois metes ali o [Luís] Godinho ou uma coisa qualquer assim... O resto é tudo muito fraco”, pode ouvir-se Proença, numa conversa que terá ocorrido há cerca de dois anos, segundo o “Record”, situando-a na lógica do encontro entre o candidato à liderança da FPF e os clubes, um momento em que apresentava projeto e programa eleitoral.

No segundo áudio, o antigo responsável pela arbitragem durante a presidência da FPF de Fernando Gomes foi olhado com desdém por Pedro Proença, que ainda não reagiu ao caso, muito menos negou a existência desta conversa.

“O Zé [Fontelas Gomes] é o que é. Não estejas à espera do Zé [Fontelas Gomes]... um gajo competentíssimo como eu, porque o Zé [Fontelas Gomes] tem o 12º ano, pá, é um gajo que nasceu no bairro da lata, pensa só no futebol.”

Finalmente, no terceiro ficheiro de som surge o Benfica e o tal elemento chamado “Seara”, que poderá ser Fernando Seara. “Queres jogar esse jogo comigo?”, pergunta Pedro Proença.

“Das 32 vezes em que fui chamado à Polícia Judiciária, 27 foram processos do Benfica. Sabes onde é que se faz a instrução dos processos? A instrução dos processos é na Liga. Queres jogar esse jogo comigo, Seara? Não brinques comigo.”

Se os dois primeiros áudios podem gerar desconfortos, o último pode permitir várias leituras. Resta os intervenientes da conversa e os dirigentes anteriores e atuais das instituições em questão apresentarem argumentos e explicações.

Para já, a Federação Portuguesa de Futebol e Pedro Proença não reagiram ou justificaram aquelas palavras. O silêncio estende-se ao Benfica e ao seu presidente, Rui Costa. Quem reagiu, “com surpresa e preocupação”, foi a Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol, que apelou ao esclarecimento cabal “do contexto, conteúdo e o motivo das declarações“ do presidente da FPF.

  • Fonte: Rádio Renascença
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