Único partido da oposição da Rússia autorizado a participar nas legislativas

Único partido da oposição da Rússia autorizado a participar nas legislativas

  • 29/07/2026 09:03
  • Redação

As autoridades eleitorais da Rússia autorizaram esta quarta-feira a participação nas eleições legislativas de setembro do único partido da oposição no país, Yabloko, que teve vários candidatos excluídos por criticarem a guerra na Ucrânia.

"O Yabloko estará nos vossos votos! A Comissão Central Eleitoral registou a lista do partido para as eleições para a Duma [câmara baixa do parlamento russo]", disse o Partido Democrático Unido Russo (Yabloko, que significa maçã em russo).

O partido liberal, que concorre sob o lema "Pela paz e liberdade", apresentou uma lista de 269 candidatos que deverá torna pública em breve no seu site.

Além disso, "mais 135 candidatos estarão representados nas circunscrições por distritos", acrescentou.

No entanto, após pressão judicial e a recusa em registar as suas listas em algumas regiões, o partido, que está no panorama político da Rússia desde 1993 e que na altura acolhia o falecido opositor político Alexei Navalny, mantém-se cauteloso.

"Claro que tudo pode acontecer antes de 20 de setembro [o dia das eleições legislativas], e não esperamos uma campanha fácil", alertou.

A reunião da comissão eleitoral contou com a presença do vice-deputado e líder do partido ultranacionalista Rodina (Pátria), Alexei Zhuravliov, que apelou à rejeição das listas do partido liberal, argumentando que nenhum dos seus políticos foi à Ucrânia apoiar soldados russos.

Precisamente, o Rodina tentou impedir o Yabloko de participar nas eleições em diferentes regiões e, para esse fim, chegou mesmo a recorrer ao Supremo Tribunal da região noroeste da Carélia.

O Yabloko assegurou que irá trabalhar "para exigir paz e o fim da repressão" e assim mostrar "que há muitas pessoas que querem isso, e que devem ser ouvidas".

O líder do partido, Nikolai Ribakov, manifestou-se imediatamente nas suas redes sociais para atestar a notícia que, segundo ele, permitirá aos russos "votar pela paz e liberdade" e "apoiar legal e de forma segura um acordo de cessar-fogo" após mais de quatro anos desde o início da guerra na Ucrânia.

"Por uma vida sem medo!" acrescentou Ribakov, que recentemente disse à agência espanhola de notícias EFE que pelo menos 50 milhões de russos apoiam a assinatura de um acordo de paz com a Ucrânia.

Nas últimas semanas, as autoridades russas têm reprimido ativamente o único partido da oposição existente, abrindo processos criminais e administrativos contra dezenas de membros do Yabloko.

O partido, que se opõe abertamente à guerra, já viu recusado o registo em três regiões onde apresentou candidatos, incluindo São Petersburgo, a segunda maior cidade do país. A comissão eleitoral alega defeitos formais na apresentação do registo, embora o Yabloko denuncie motivações políticas.

A 10 de julho, o líder da oposição russa e antigo candidato presidencial Boris Nadezhdin foi declarado "agente estrangeiro", o que o impede de se envolver na política.

O Presidente russo, Vladimir Putin, que aparece na propaganda do partido do Kremlin (partido Rússia Unida) pela primeira vez desde 2007, iniciou a campanha oficial a meio do mês com o slogan "Todos pela Vitória".

O partido de Putin está a passar por um dos seus piores momentos -- está abaixo dos 30% nas sondagens, segundo fontes independentes -- devido à má situação económica, à crescente repressão no país e às consequências da guerra na Ucrânia, que este ano aumentou os seus ataques com drones, causando uma grave crise de escassez de combustível em todo o território russo.

  • Fonte: Rádio Renascença
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