Marco Silva: "Se eu não contasse com António Silva no Benfica, já teria comunicado à direção"
- 29/07/2026 11:50
- Redação
Marco Silva garante que conta a 100% com António Silva, no entanto, também sublinha que não prepara o jogo com o St. Gallen, da segunda mão da segunda pré-eliminatória de acesso à fase regular da Liga Europa, como uma despedida do central. O treinador do Benfica só pensa em fazer melhor que no primeiro jogo, dar a volta e seguir em frente.
"Não preparo jogos do Benfica para preparar despedidas de jogadores", destaca o treinador, esta quarta-feira, em conferência de imprensa, em que mesmo assim reitera confiança no defesa: "Se eu não contasse com o António para estar no Benfica, já o teria comunicado à direção."
Acima de tudo temos de ser mais fortes coletivamente. O jogo tem várias condicionantes e teve na primeira eliminatória, mas sermos mais fortes como equipa, fazer com que as nossas potencialidades estejam acima que a forma de o adversário jogar. Deixámos o jogo da primeira mão ir muito para duelos individuais, que é um momento em que o adversário está muito confortável a jogar. Temos de ter capacidade de ter um domínio diferente no jogo, ter posse mais longas, desorganizar o adversário e não deixar que o jogo entre sempre no "perde e ganha". Foi um pouco o que aconteceu no primeiro jogo, muitas transições, muitas situações em que não havia necessidade de forçar e forçámos; não tivemos a capacidade de assentar o nosso jogo e esse é um dos aspetos que teremos de melhorar. Depois, uma entrada como nos compete em casa, estando em desvantagem na eliminatória, para dar um sinal logo no começo. O apoio dos nossos adeptos será fundamental, mas há momentos em que temos de ser nós a dar aquele primeiro boost aos nossos adeptos e uma entrada forte fará com que o jogo fique mais para o nosso lado. E depois, naturalmente, mostrarmos a nossa qualidade, que temos de o fazer, criarmos oportunidades e sermos capazes de marcar, para ganhar o jogo e passar a eliminatória.
Quando não jogamos ao nível que podemos, independentemente das condicionantes... Ter sido uma pré-época atípica, em que só começámos a receber os internacionais já com jogos decisivos a decorrer, não pode servir desculpa. As críticas quando não jogamos a um nível que podemos e devemos não são agradáveis, mas temos de encarar como naturais num clube da dimensão do Benfica. Não nos pode condicionar de maneira nenhuma.
Temos de conseguir e temos de melhorar. Tão simples como isso. Percebo a questão e a análise também, logo no primeiro canto notou-se isso. Não tem muito a ver com a organização, temos de ser proativos e temos de ter a capacidade de atacar a bola em zonas que estão preenchidas por nós. Analisámos e fizemos o nosso trabalho, faz parte do planeamento semanal e da preparação para o jogo, temos vindo a trabalhar desde o princípio da pré-temporada, também perceber quais são os jogadores mais ou menos fortes em qualquer zona do nosso posicionamento defensivo em momentos de bola parada. Temos de dar passos em frente e melhorar.
Jogou contra o Belenenses, num jogo de preparação. Em relação ao Durán, tem feito o processo natural. Estava numa pausa grande de férias, após os últimos meses em que não tinha jogado tanto. Está a melhorar, está melhor, deu alguns sinais positivos num jogo de intensidade baixa. Mas deu sinais positivos da razão por que acreditamos que nos vai ajudar. Alguns atletas ainda não estão fisicamente preparados para começar jogos desta intensidade e deste nível. Mas nem sempre quem começa é decisivo e teremos depois soluções no banco para lançar no jogo.
Naturalmente, iremos acrescentar os minutos que temos de acrescentar aos jogadores que vieram do Mundial, sem grande pausa. Alguns fizeram 15, 16 jogos de pausa, estiveram num ambiente de competição e stress competitivo, e a pausa não é muito grande. Alguns jogadores fizeram quatro sessões de treino. Estarão todos envolvidos no jogo e, depois, compete-me decidir o onze e as opções para o jogo. Praticamente todos os jogadores que chegaram mais tarde, se nada acontecer, estarão convocados para o jogo.
Se queremos melhorar, temos de ser claros na análise que fazemos. São dois golos que ao nível a que estamos, temos de fazer melhor. Partilhei isso com os jogadores e eles estão no mesmo caminho. Nos últimos minutos de um jogo, quando há mais cansaço, qualquer momento de bola parada acaba por ter um fator de decisão muito importante, é uma questão de manter fogo e sermos agressivos naquele momento. A forma como construímos no primeiro momento e perdemos a bola em zonas proibidas também são questões naturais e, se queremos melhorar, usar ou não a palavra "inaceitável" e dizer que "temos de fazer muito melhor", se calhar tem de ser mais ir pelo outro lado, para não dar tanto ênfase na próxima vez. Mas são questões que, se queremos ser uma equipa forte, temos de melhorar.
A pressão é inerente a quem está neste clube. Se formos mais fortes coletivamente, os jogadores, de forma natural, vão jogar melhor individualmente. Quem está a este nível tem de ser capaz de suportar a pressão natural de um clube como o Benfica. Estamos a jogar pré-eliminatórias de competições europeias, o fator decisivo está lá, mas também queremos no futuro encarar jogos do campeonato como decisivos, cada jogo do campeonato tem uma importância muito grande para o final do campeonato. Quando se joga nesta casa, a este nível, temos de olhar para cada jogo como uma final. Entendo que tem consequências diferentes um bom ou um mau resultado quando estamos a jogar uma eliminatória, mas temos de olhar para isso como um privilégio muito mais que como uma pressão.
Não penso um segundo nisso. Não é que não perca tempo, é algo em que não penso, não está no nosso pensamento, não está no meu pensamento como treinador do Benfica. Não gasto nenhuma energia pensando já que algo pode ser negativo. Sou positivo por natureza. Depois do mau jogo que fizemos, a semana foi positiva, analisámos coisas importantes, recebemos jogadores que, mesmo estando ou não em condições de jogar amanhã, elevaram o nível do treino e da competitividade. Mas não há aqui nenhum tipo de negativismo ou algum receio. Não perdemos um segundo a pensar nisso.
Não preparo jogos do Benfica para preparar despedidas de jogadores. Preparo a equipa para o jogo, a dimensão e dificuldade do jogo, o nosso momento em termos de soluções. Começámos a pré-temporada com um central e, quando chegou o [Clément] Lenglet, passámos a ter dois, além dos jovens da formação que estiveram com a equipa. Mas esta é a realidade. Mas não estamos a pensar em preparar um jogo para permitir a um atleta despedir-se do Benfica dentro do campo. Nunca tive conversas dessas com um atleta do Benfica, com o António não as tenho de certeza absoluta. O António está comprometido desde o primeiro dia, porque senão não haveria hipótese de ele ter jogado.
Se eu não contasse com o António para estar no Benfica, já o teria comunicado à direção. Se ele está neste momento no Benfica e tem jogado jogos de preparação e oficiais pelo Benfica, é porque eu contava com o António, como é lógico.
O Leandro teve uma boa pré-temporada, foi uma ausência inesperada para nós mas pode acontecer. Não tendo os dois jogadores que estavam no Mundial, optámos por jogar com o Miguel [Figueiredo]. Foi difícil para o Leandro estar de fora, até perdeu alguns quilos, mas está a voltar ao seu melhor.
Estamos preparados para as duas hipóteses. É um adversário que gosta de levar o jogo para marcação individual, percebe-se pela forma como pressiona a campo inteiro. Custou-nos muito no jogo da primeira mão e não tivemos capacidade depois de assentar. É isso que teremos de fazer de forma diferente, se a abordagem deles for vir pressionar a campo inteiro. Não foi uma surpresa para nós. Não demonstrámos a calma necessária para controlar o jogo com bola. Depois, há a hipótese de o adversário optar por uma abordagem mais conservadora, por estar em vantagem na eliminatória. Não me parece que seja esse o ADN da equipa, mas podem optar por um bloco médio-baixo e esperar noutras zonas do terreno por nós, e nós temos de estar preparados para esse momento.
Estou muito satisfeito com o Miguel, foi um jogador que, com informações que tínhamos dos últimos seis meses da temporada passada, foi evoluindo de forma muito positiva. Tomei a decisão de o ver, queria que ele estivesse connosco durante um momento em que para mim era importante ter bastantes jovens da nossa formação conosco e o Miguel não jogou por acaso, jogou porque foi dando boas indicações. Não tínhamos três jogadores, entre os mais experientes e que fizeram parte do plantel no ano passado — o Leandro estava de fora, o [Richard] Ríos e o Fredrik [Aursnes] estiveram no Mundial. Tínhamos outras opções e tomei a decisão de jogar com o Miguel, porque estava consciente de que ele podia dar uma boa resposta. E deu uma boa resposta. Mesmo nos momentos em que a equipa não esteve tão bem, não se notou nenhuma inexperiência da parte dele. Estava mais fatigado na segunda parte, isso notou-se, mas durante o jogo, o que lhe fomos pedindo, em alguns momentos manter a calma e ter a capacidade de meter pausa no jogo, claramente conseguiu fazê-lo. Não jogando tanto no nosso meio-campo ofensivo, não foi tão visível os movimentos que ele é capaz de fazer no último terço. É um jogador que vai estar sob o radar, naquela ponte entre equipa A e equipa B. Acreditamos nele. Terá o seu espaço para progredir, ele e outros jogadores.
Quer o Sudakov, quer o Rafam possivelmente o Prestianni, o Moreira, são jogadores com capacidade de ser o terceiro médio. O Rafa com características um pouco diferentes, podendo quase ser um segundo avançado. O jogador que lá jogar tem de ter a capacidade de perceber que enfrentámos uma equipa que jogou praticamente sempre a defender homem a homem e os nossos jogadores da frente terão uma pressão mais forte, sem grandes espaços entrelinhas. Teria de haver muitos mais apoios frontais para depois chegarem os apoios de frente dos nossos jogadores e essa teria sido a chave para chegarmos a zonas de finalização com mais regularidade. Tivemos muitos momentos de 3 para 2 ou 4 para 3 em que depois a nossa decisão não foi a melhor. Independentemente da forma como o adversário vai abordar o jogo e vai marcar os nossos jogadores mais adiantados, o jogo depois vai pedir-nos outras coisas. Uma organização diferente pede-nos se calhar aguentar mais entrelinhas e ter capacidade de jogar entrelinhas, e aí estamos de costas para a linha adversária; com marcação individual, muito mais mobilidade dos três médios, que não tivemos tanto, ou dos jogadores da frente, juntamente com o Sudakov, ou outro jogador que possa jogar naquela posição, para depois baralhar um pouco a marcação individual do adversário. Quem joga naquela posição tem de estar preparado para os dois momentos: marcação por trás, ter capacidade de jogar a um toque e combinar com os médios e os avançados.
Em relação às soluções no meio-campo, o que pode acontecer até ao fim do mercado não vou comentar.
Estaria eu muito mal se, após dois jogos e um período de lesão na pré-temporada, eu perdesse a confiança total num jogador que precisa de confiança, que precisa de sentir que quem está à volta dele tem essa confiança. Não rendeu ao nível a que pode render no primeiro jogo oficial e ele sabe-o. Sabe que terá de demonstrar a qualidade que tem dentro de campo, não iria mudar a minha opinião sobre um jogador. Claro que é diferente estarmos de fora, mas não o vou fazer após cinco semanas. Os jogadores têm de render, melhorar, libertar mais quando a marcação vem de trás. Estamos cá para ajudar o Sudakov. Se melhorarem individualmente, seremos melhores em termos coletivos. Não quero individualizar, é uma questão muito mais coletiva. Tendo melhores exibições, vão melhorar o coletivo.