Programação do Teatro Nacional S. João passa pelo renovado Mosteiro S. Bento da Vitória
- 29/07/2026 17:32
- Redação
No Claustro do Mosteiro de São Bento da Vitória foi apresentada, esta quarta-feira, a extensa programação do Teatro Nacional São João (TNSJ), no Porto, que destaca a música clássica, a dança contemporânea e o teatro de repertório.
A nova temporada conta com mais de 50 espetáculos, entre 15 estreias absolutas, seis produções próprias e 18 coproduções, além de oito espetáculos internacionais, masterclasses, oficinas, conferências e outras atividades.
Contudo, antes da apresentação propriamente dita, o vereador da Cultura, Jorge Sobrado, marcou o início do evento com alguns números relativos às obras de requalificação do Mosteiro de São Bento da Vitória.
A intervenção no Mosteiro de São Bento da Vitória implicou um investimento de 4,850 milhões de euros suportados pelo PRR Cultura, valor este que, nas palavras do vereador da Cultura da autarquia do Porto, lhe confere o título de “intervenção mais significativa do PRR Cultura”.
Durante 304 dias aquele monumento foi alvo de 28 intervenções que se focaram, entre outras questões, na eficiência energética e na acessibilidade do edifício, referiu Jorge Sobrado durante a apresentação, relembrando que “o verão era quase insuportável” nos gabinetes de trabalho do Mosteiro.
As obras incidiram essencialmente na requalificação, que custou 4,170 milhões de euros, a que se somam a obra na Sala do Tribunal (440 mil euros) e uma parte dedicada ao Wi-fi/Cinema Digital (301 mil euros).
O Mosteiro S. Bento da Vitória reabre a 1 de outubro deste ano. O local vai voltar a ser palco para a música no âmbito da programação do TNSJ durante quatro dias — a par do Teatro Nacional S. João e Teatro Carlos Alberto, os três edifícios do universo TNSJ — “reafirmando o mosteiro como casa da música”. O ciclo de concertos Musical-Mente e os Solistas da Orquestra XXI: Morton Feldman são os destaques na cena musical, mas a reabertura vai contar também com um programa de performances e uma exposição.
Este ano, o TNSJ decide reforçar o seu “imperativo ético” na defesa da língua e da literatura portuguesas, bem como da encenação de repertório dramático universal, destacando-se assim na programação os seis projetos de criação própria.
"Auto da Barca do Inferno", de Gil Vicente, é “reativado” por Marta Pazo, responsável pela encenação e é uma das estreias “coloridas” e “luminosas” do TNSJ. A encenadora, um nome central da cena contemporânea espanhola, propõe uma versão da história vicentina dançada e com recurso às artes visuais que promete ser “uma festa dos sentidos”.
"O Despertar da Primavera" é outra das estreias destacadas, com encenação do diretor artístico do TNSJ, Vítor Hugo Pontes. Será a sua peça de introdução, enquanto diretor, no repertório universal. A história de Frank Wedekind assenta no paralelismo entre “o despertar da sexualidade e o conhecimento da morte”. O objetivo final da proposta de Vitor Hugo Pontes é responder à pergunta: “Diz-me tudo, mãezinha, vá lá! Responde-me — como é que é?”.
“A Semana dos Porquês” é o título provisório de mais uma estreia de teatro, desta vez com com direção artística de Inês Sincero e Tomé Nunes Pinto. A história anda à volta de Antónia, uma menina de 10 anos que escreve para o Jornal da Escola e que se depara com o desafio de relatar os factos num inesperado momento de revolta dos alunos, caracterizado por um “sem-número de interrogações”.
O espetáculo “Maiúscula” é mais uma produção do TNSJ , o primeiro de três monólogos de um ciclo chamado “Parla-Solos” que vai marcar o arranque desta nova temporada em setembro e que seguirá depois em digressão com paragens em Tavira e Bragança. A peça de Jacinto Lucas Pires contará com a atuação da atriz Luísa Cruz.
A ópera “Relicário Perpétuo”, da autoria do Prémio Pessoa Luís Tinoco, com a direção musical de Joana Carneiro, será reposta no Porto, assim como exposição “Nove Quartos de cena”.
Nas palavras do diretor artístico do TNSJ, Vítor Hugo Pontes, esta é uma “temporada dedicada aos novos criadores”. O novo ciclo de espetáculos “Saída de Emergência” é fruto dessa vontade da nova direção. A “experimentação” e a “descoberta” de novas linguagens teatrais terá lugar no Teatro Carlos Alberto, “abrindo as portas” à participação de novos criadores.
Na secção das coproduções, as novas vozes também se fazem ouvir. Juntamente com o Teatro Aberto, o TNSJ recebe o espetáculo “Caravana”, que estreou em Lisboa, da autoria do poeta e Prémio Pessoa, João Luís Barreto Guimarães.
"O Pai", de August Strindberg, é um trabalho conjunto com o São Luiz Teatro Municipal, “Festa” é a criação do Teatro Experimental do Porto, “Pessoas Lugares e Coisas” do dramaturgo britânico Duncan Macmillan e com interpretação de Benedita Pereira ou "Fumo", de Tiago Correia, são apenas algumas das apresentações programadas produzidas em coprodução.
A inclusão e a acessibilidade são outro compromisso do TNSJ e que resulta em quatro coproduções. “O Conceito Inútil” é um espetáculo construído à volta das histórias individuais de cada membro da companhia teatral Do Lado de Fora, a primeira criada por pessoas em situação de sem-abrigo em Portugal, conta com a direção artística de Rui Spranger e estreia no Teatro Carlos Alberto.
“À Porta”, da Companhia Estrutura, “Memórias do Cárcere”, da estrutura de criação artística Terceira Pessoa — um espetáculo de teatro com reclusos do Estabelecimento Prisional do Vale do Sousa — e “Eneias, max e Outros — Uma Odisseia Contemporânea”, da Arena Ensamble, com encenação de Marco Martins, são as três propostas que fazem parte deste capítulo voltado para as pessoas e para reflexão.
O sítio do costume, o Teatro Carlos Alberto, continua a ser o palco da programação do Centro Educativo do TNSJ com mais espetáculos para o público infantil e juvenil. Destacam-se as apresentações “O Estado do Mundo (Quando Acordas)”, no âmbito do FIMP - Festival Internacional de Marionetas do Porto, “TPC: Frei Luís de Sousa" e “Roda-Viva (A Menina e o Círculo)” são mais alguns nomes em destaque no plano 2026-2027 do Teatro Nacional São João.
“Visitações” é a nona edição do projeto âncora do centro educativo que reúne alunos de escolas da Área Metropolitana do Porto num espetáculo colaborativo.
No que diz respeito aos destaques internacionais, este expressa-se através do acolhimento pelo TNSJ de companhias estrangeiras, integradas no FIMP, no FITEI - Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica e no Festival Dias da Dança (DDD).