Tribunal russo condena jornalista a 12 anos de prisão por traição
- 29/07/2026 19:52
- Redação
Um tribunal de Moscovo condenou a jornalista Darya Shipacheva a 12 anos de prisão depois de a considerar culpada de traição, acusação utilizada pelas autoridades russas para processar figuras da oposição, ativistas e jornalistas.
"O tribunal condenou Shipacheva a 12 anos numa colónia penal de regime semiaberto e a uma multa de 300 mil rublos (3.280 euros)", adiantaram fontes do processo à agência de notícias Interfax, que noticiou na quarta-feira que o julgamento decorreu à porta fechada.
O juiz determinou ainda o arresto de 1,5 milhões de rublos (16.400 euros) da jornalista, uma medida frequentemente utilizada em casos criminais relacionados com o financiamento de atividades criminosas, embora os motivos exatos da condenação sejam desconhecidos.
A jornalista, que se declarou culpada e cooperou com a investigação contra si, foi condenada na pena mínima por traição, crime previsto no artigo 275.º do Código Penal, segundo o 'site' de notícias da oposição Meduza.
Shipacheva, que escrevia para meios de comunicação como o grupo russo RBC e a Forbes, foi detida na sua casa em Moscovo em abril de 2025 e transferida para a região de Rostov-on-Don, onde assinou um acordo com os investigadores.
Os tribunais russos têm proferido inúmeras sentenças contra indivíduos acusados de traição por alegadamente colaborarem com a Ucrânia e realizarem ou planearem vários atos de sabotagem desde o início da invasão do país vizinho, iniciada em fevereiro de 2022 por ordem do Presidente russo, Vladimir Putin.