Liberato torce pelos "grandes amigos" do Torreense. "Espero que acreditem na Supertaça como acreditámos no Jamor"

  • 30/07/2026 03:20
  • Redação

É possível o Torreense tombar mais um gigante. É essa a crença que Guilherme Liberato, que ajudou a conquistar a Taça de Portugal frente ao Sporting, transmite aos ex-companheiros, em vésperas da Supertaça, diante do FC Porto.

De volta ao Moreirense, a "casa mãe", o médio brasileiro, de 25 anos, vai estar a ver a Supertaça e a torcer pelos "grandes amigos" que fez em Torres Vedras.

"Vou torcer por eles. Espero que eles também acreditem, como a gente acreditou na final da Taça. Porque como é um jogo só, as coisas podem correr mal para o Porto e eles ganharem, ou também o Porto demonstrar a força que tem e ganhar. Mas eu sempre vou torcer pelos meus amigos", afirma, em entrevista a Bola Branca.

Liberato está de regresso a Moreira de Cónegos, depois de uma temporada "quase perfeita" de empréstimo ao Torreense. O médio, a quem Vasco Botelho da Costa imputa, agora, tarefas mais defensivas, considera que o passo atrás, para dar dois à frente, se revelou acertado. Agora, sonha com a Europa, uma porta que se fechou ao dar o salto de volta para a I Liga — mas que espera reabrir no Minho.

É fim de semana de Supertaça, os seus antigos companheiros do Torreense com o FC Porto. Acredita que podem voltar a surpreender?

Acredito que sim. Estou torcendo muito para que isso aconteça, porque eu fiz grandes amigos lá. E como a gente surpreendeu no ano passado, este ano espero que aconteça igual. Porque eles também estão bem preparados e têm grandes jogadores.

Como é que o Luís Tralhão montou a equipa para surpreender o Sporting, na final da Taça de Portugal?

A gente estava com o intuito de fazer um grande jogo. Só que a gente não esperava que fosse ser como foi. Então, as coisas aconteceram naturalmente. A equipa que jogou era a equipa que jogou a maior parte da época. A gente foi mesmo para desfrutar. E aconteceu que a gente viu no meio do jogo que dava para ser campeão, que as coisas não estavam tão longe. Então, a gente acabou sobressaindo nesse ponto. Mas também a força da equipa sobressaiu.

Ah, tenho, tenho. Tenho foto, tenho a camisa, tenho tudo aqui em casa. Medalha. Tenho até os bilhetes do jogo, que a minha esposa foi. Eu falei para ela guardar os bilhetes, que eu ia fazer tudo num quadro. A rede do jogo também, tenho tudo.

Foi ver a minha família feliz na arquibancada, para mim não teve preço. Porque há um ano, eles estavam comigo, sofrendo pela minha lesão. E um ano depois, a gente está ali comemorando. Eles entraram dentro de campo. Acho que foi esse o momento mais marcante, que eu vou levar para a minha vida toda.

Sinceramente, a gente não esperava. Ninguém esperava, a gente também não colocava tanto peso assim. A gente foi tranquilo, como eu falei. E acabou que no meio do jogo a gente viu que dava e foi uma surpresa.

Foi quando a gente fez um gol no primeiro tempo e terminou o primeiro tempo 1-0. E a gente estava sofrendo alguns remates na baliza, mas mesmo assim não era um perigo eminente. Então, acabou que a gente desceu para o segundo tempo e falou: "A gente tem mais 45 minutos, se a gente segurar igual a gente está aqui, a gente pode ser campeão." E foi o que aconteceu. Tomámos um gol, mas mesmo assim conseguimos mostrar a força da nossa equipa.

O pior é que os festejos foram curtos, porque tinha uma final na quinta também [segunda mão do play-off de acesso à I Liga]. Depois do jogo fomos à Câmara Municipal. A gente ficou um pouco lá, mas como estava todo o mundo cansado, porque a gente pegou uns jogos muito decisivos na reta final, e queria descansar. Às 1h30 da manhã, já estava todo mundo em casa, praticamente. Também porque no dia seguinte teria treino.

A gente não tinha dimensão do que foi quando a gente ganha. Depois, vai passando os dias e vai o pessoal falando, "nossa, que feito que vocês fizeram". Aí você vai vendo a dimensão do que é. Mas acabando o jogo ali, a gente não fazia ideia do que era o jogo. O nosso time também tinha muitos estrangeiros. Praticamente a maioria não sabia o que era uma final no Jamor.

Eu praticamente não sabia o que era uma final no Jamor, que as pessoas vão para lá 7h00 da manhã, 2h00 da manhã, e é uma loucura. Quando você entra no campo e vê aquela multidão de gente, você muda a chave e fala, "caraca", eu estou vivendo isso aqui, mas é uma coisa que poucos jogadores podem ter esse privilégio.

Uma final no Jamor é uma coisa inesquecível. Todos os jogadores precisavam de sentir essa sensação de estar ali.

O que espera desta Supertaça? Os seus antigos companheiros contra o campeão nacional...

Como eu disse, vou torcer por eles. Espero que eles também acreditem, como a gente acreditou na final da Taça. Porque como é um jogo só, as coisas podem correr mal para o Porto e eles ganharem, ou também o Porto demonstrar a força que tem e ganhar. Mas, do meu lado, eu sempre vou torcer pelos meus amigos.

Também fiz muitos amigos na comissão, diretores. Então, vou sempre estar torcendo por eles.

Está de volta ao Moreirense. Teve a lesão, é certo, mas considera que ficou provado que foi um passo certo ter descido à II Liga para se afirmar?

Sim, eu creio que foi. Eu acredito muito em Deus e sei que Deus não me ia colocar no Torriense para me deixar desamparado. Eu sabia que Ele tinha um plano na minha vida. E eu confiei, porque foi uma coisa muito rápida, foi no último dia da janela [de transferências]. Eu conversei com meus empresários e o clube também me deu total liberdade de decidir o que eu queria. E eles também me deram total apoio, que foi o que eu mais precisei nesse momento.

Como eu estava voltando de um ano de lesão, eu queria ter uma confiança de que não iria para o Torriense para ser só mais um. Porque eu queria ganhar confiança, queria jogar. E foi isso que aconteceu. Creio que foi um passo muito importante na minha vida. E tanto o Moreirense como o Torriense foram fundamentais nesse período para mim.

Sim, eu estou aqui para ajudar o Moreirense. Desde o dia que eu cheguei aqui, há dois anos, sempre me dediquei aqui. Tenho um carinho enorme pelo clube. Tenho muitos amigos aqui também. E eu faço o meu melhor todos os dias. Eu sei que os nossos objetivos este ano, a gente precisa de se enquadrar no que o mister tem para a gente. E a gente vai alcançar, creio eu.

São boas. Depois de uma época quase perfeita no Torreense, creio que chego mais pronto agora para estar aqui no Moreirense, jogar uma I Liga, que é diferente da segunda, mas creio que estou preparado. Estou com a cabeça boa, a minha família também está bem. Então, creio que o mais importante é isso para a gente desempenhar dentro de campo.

No Torreense, jogaria a Liga Europa. É obviamente impossível pensar no melhor dos dois mundos, ninguém pode ter tudo. Mas considera que é melhor jogar Liga Europa e II Liga, ou dar este salto para a I Liga e afirmar-se no principal escalão?

Isso é muito relativo do que você pensa para a sua vida. Há gente que tem objetivos pessoais, que uma I Liga pode dar um salto muito maior do que se jogar uma II Liga. Só que também tem a Liga Europa, então, pesa muito. Mas são escolhas. Cada um sabe o que vai ser melhor para si mesmo.

Falando de objetivos, no Moreirense, quais são as metas coletivas e individuais?

Eu não gosto de falar, porque às vezes eu posso fazer, posso não fazer. E quem vê vai falar, "ele prometeu isso e não entregou". Eu gosto de guardar para mim, porque é individual.

É ir à Europa, porque agora abriu uma vaga no campeonato e a gente tem todas as condições de alcançar esse objetivo.

É agora treinado por Vasco Botelho da Costa, considerado um dos treinadores mais promissores do futebol português. Como tem sido a experiência e como descreveria o treinador?

O mister é muito competente. É um dos melhores treinadores da I Liga. Ele às vezes pega um pouco no pé, mas é para o nosso bem [sorriso]. Acho que ele sabe gerir bem a malta. Está todo o mundo no caminho certo. A gente está pegando o feedback, tudo que ele passa, tudo certinho nos vídeos, no campo. E a malta está a caminhar bem, está todo o mundo gostando. E tem tudo para fazer uma época incrível.

Sim, sim, ele é um grande treinador. Tem boas ideias. A gente vê no dia a dia que ele impõe uma coisa e, na prática, dá certo. Então, a gente escuta e faz o que ele pede, que a gente sabe que vai dar certo.

Sente que as suas características estão a encaixar no futebol do Vasco Botelho da Costa? O que pode mudar para o Liberato, entre a I e a II Liga, e o futebol do Torreense e o futebol do Moreirense?

Todo o jogador tem de se adaptar. Um treinador tem uma ideia e outro treinador tem outra. No Torreense, eu jogava mais como segundo médio, e aqui eu estou jogando como um primeiro [médio-defensivo]. Então, eu estou a adaptar-me. As primeiras semanas não foram fáceis para mim, porque tinha um estilo de jogo. Mas enquadrei-me no que o mister queria e fui-me adaptando. Também já era uma adaptação da II para a I Liga.

O que é que sente que a posição de primeiro médio pede de si, que não lhe era pedido antes?

Quando você joga de segundo médio, tem mais liberdade. E quando você está de primeiro centralizado, tem de soltar a bola mais rápido, fazer os balanços e entender que tem de ser mais um equilíbrio para a equipa. Então, acaba por ser diferente de um segundo médio, que pode ir para o ataque, pode segurar mais a bola, pode fazer outras coisas que o primeiro não pode.

E o que gosta mais de cada posição e, especificamente, do que estão a pedir-lhe agora?

[risos] Do que me estão a pedir agora, é estar sempre com a bola, que é bom, e destruir jogadas também. E ajudar. Eu estou aqui para ajudar, é o meu intuito. Claro que todos têm de ser protagonistas, mas eu não vou ser um cara que vai fazer 15 golos na temporada. Vou ajudar na minha função como eu posso.

Falando do Liberato, esteve no Moreirense, deu um passo atrás para dar dois à frente. Já tem um grande troféu na carreira, a Taça de Portugal. Está agora com o Moreirense. Que sonhos ainda tem aí para alcançar?

Eu tenho diversos sonhos, eu vivo sonhando. Às vezes eu acho que nem sou capaz de alcançar os sonhos e Deus faz o extraordinário, e eu consigo alcançar coisas que eu nunca imaginei.

Na minha carreira, eu tenho muita vontade de me firmar na I Liga, que é um campeonato muito exigente, com grandes equipas. Afirmando-se na I Liga, você é um jogador... não melhor que um da II Liga, mas sim com o poder de estar desfrutando com os melhores. Isso é muito bom. Você desfruta disso como uma experiência única também, porque jogar contra o Porto, Benfica e Sporting é o que todos os jogadores querem, que é desfrutar no mais alto nível.

E o Liberato já tem experiência em derrotar grandes. Acredita que pode ajudar os seus companheiros nesses jogos?

Isso é muito relativo. Às vezes, pode ser que a gente está num dia bom e acontecem as coisas. Mas eu não posso falar que vou ganhar todas as vezes, que isso é muito difícil. Às vezes, a gente está concentrada no que tem que fazer e as coisas acontecem, mas a gente também desfruta do jogo como todas as equipas sendo iguais. Porque dentro do campo são 11 contra 11, não tem essa diferença de camisa, porque dentro de campo só jogam 11.

  • Fonte: Rádio Renascença
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