Papa sente "um grande amor pela América", mas lembra que é pastor da Igreja Universal
- 30/07/2026 06:47
- Redação
Leão XVI reconhece que a sua eleição, em 2025, representa muito para o povo da América. "A julgar pela reação que temos visto, desde 8 de maio do ano passado, há um grande significado em ser o primeiro papa americano", admite à NBC News, não escondendo que a responsabilidade que sente pela missão que agora exerce se sobrepõe ao que possa sentir por ser natural dos EUA.
"Vejo-me mais como o Papa que, por acaso, é americano, não para menosprezar o que significa ser americano. Nasci nos Estados Unidos, a minha família ainda está nos Estados Unidos, tenho um grande amor pela América. Mas, compreendo que minha missão tem uma dimensão muito importante, que é justamente ser pastor de uma igreja universal, ter voz e oportunidade de falar com pessoas de todo o mundo. Portanto, coloco as coisas nessa ordem", afirmou o Papa.
Nesta breve entrevista que concedeu quarta-feira à noite, ao programa Night News, do canal norte-americano, Leão XIV fala das suas raízes familiares.
"Venho de uma família cujos avós eram imigrantes. Do lado da minha mãe, há quem tenha sido escravizado, e quem tenha sido proprietário de escravos. Há uma história de crescimento, por assim dizer, e um tipo de experiência que me ajuda a reconhecer a mim mesmo como uma das maiores riquezas dos Estados Unidos", revelou o Papa.
À pergunta 'o que o senhor ama na América?', respondeu: "tantas coisas! Falando de princípios, daquilo que a América representa: liberdade, oportunidade, o facto de ter convidado, ao longo de gerações, pessoas de todo o mundo para fazerem parte da América".
"Continuo a defender os princípios que fazem parte da identidade americana há tantos anos, e isso continuará", assegurou.
O jornalista Tom Llamas quis, ainda, saber quando é que Leão XIV visitará os EUA, e o Papa admitiu que poderá não faltar muito.
"Por coincidência, hoje estávamos a ver o calendário para os próximos anos. Nada está definido ainda, mas certamente espero estar aí em breve".
A entrevista foi gravada em Castel Gandolfo, onde o Papa participou no "Cântico de Paz", um encontro organizado pela Fundação do tenor italiano Andrea Bocelli e pelo Centro de Alta Formação ‘Laudato Si’.
No final do mesmo encontro, o Papa falou também com o jornalista mexicano Julio Vaqueiro, do Notícias Telemundo, a quem sublinhou a importância do concerto pela paz, a que tinham acabado de assistir, e que reuniu crianças oriundas de vários países, alguns em guerra, mas que ali deram testemunho de união e fraternidade.
"Acabámos de presenciar crianças de vários países, de diferentes raças, talvez de diferentes religiões, todas a cantar juntas, num momento de beleza que, acredito, foi um convite a que todos olhemos a beleza que pode ser criada - ou da qual se pode participar - quando deixamos de lado certas diferenças e reconhecemos a riqueza do ser humano - o facto de todos sermos criados à imagem de Deus".
Leão XIV destacou as orações que algumas crianças fizeram: "perguntaram-nos a nós, adultos, 'porque existe guerra em vez de paz e porque existe ódio em vez de amor?'. Acredito que as crianças podem ensinar-nos muito, e devemos redescobrir os valores — o tesouro — que existem no facto de sermos humanos, irmãos e irmãs uns dos outros, e ver que todos podemos realmente participar de uma sociedade que ama e busca a paz, que acolhe o próximo apesar das diferenças. Se todos trabalharmos pela paz, poderemos superar tantas situações que geram conflito e ódio", sublinhou ainda o Papa.