Poiares Maduro e os planos de Infantino: "É mais um passo na hiper comercialização do futebol"

Poiares Maduro e os planos de Infantino: "É mais um passo na hiper comercialização do futebol"

  • 30/07/2026 08:44
  • Redação

O anúncio tem motivado grande discussão acerca do papel e das intenções da FIFA. Para Miguel Poiares Maduro, ex-presidente do Comité de Governação da FIFA, o cenário é claro.

"É, no fundo, mais um passo na hiper comercialização do futebol, que a FIFA, mas não apenas a FIFA, tem vindo a desenvolver", afirma em entrevista a Bola Branca.

O antigo dirigente aponta para uma dicotomia entre o que o organismo promete, incluindo a democratização do espetáculo e o cuidado com os jogadores, e aquilo que faz, nomeadamente "o objetivo de maximização das receitas e dos lucros da FIFA".

Poiares Maduro considera que se trata de "uma manifestação de como o poder está organizado na FIFA".

"A forma como os presidentes da FIFA adquirem uma enorme concentração de poder permite-lhes aumentar o pote de dinheiro que eles controlam", refere.

"É um sistema de poder que é alimentado e que alimenta uma rede clientelar, assentando na capacidade de distribuir cada vez mais dinheiro a essa rede. Infantino apenas está a fazer isso de uma forma muito transparente, porque também não se preocupa muito em o esconder", completa.

Entre os possíveis investidores, estarão nomes com ligações a Donald Trump. O Presidente norte-americano aproximou-se de Infantino nos últimos tempos, tendo até sugerido o ítalo-suíço como sucessor de António Guterres no cargo de secretário-geral da ONU.

Miguel Poiares Maduro acredita que a relação com Trump pode ter impacto nas decisões da FIFA.

"A FIFA e Infantino funcionam mais de acordo com os seus interesses políticos e comerciais do que com os interesses do mundo do futebol. É algo que confirma uma relação muito transacional que se estabeleceu entre Infantino e Trump", afirma.

"Portanto, não é estranho nem que Trump esteja a promover Infantino, nem que Infantino, por sua vez, pareça favorecer interesses familiares de Trump. É algo que é um claro conflito de interesses, também, na forma como essa decisão é tomada, mas que, infelizmente, atendendo à natureza do poder na FIFA e atendendo àquilo que tem sido o comportamento na FIFA, não é surpreendente", explica.

Apesar disso, Poiares Maduro recorda que a criação de mecanismos de exploração dos direitos das competições de futebol já existe, até na UEFA. Porém, na sua opinião, "a natureza como Infantino a quer promover é particularmente escandalosa".

"Há poucos dias ouvi uma declaração do presidente da federação da Finlândia, a quem perguntavam porque é que ele não falava mais, não se opunha. E ele disse 'nós achamos que é o melhor interesse do futebol finlandês não nos manifestarmos publicamente'".

"Eu entendo que deveria haver uma regulação europeia que impusesse fundamentalmente três coisas: uma separação clara entre a função de regulação e a função do operador comercial destes órgãos de governo do desporto; uma maior representatividade destes órgãos do governo do futebol; e, em terceiro lugar, impor-lhes um escrutínio verdadeiramente independente."

Poiares Maduro exemplifica a necessidade de escrutínio: "Há federações quem têm poucos milhares de habitantes. Dar 20 milhões a essas federações, é uma forma, se quiser, de corrupção legalizada. E controla-se muito facilmente o poder dessa forma".

"No meu ponto de vista, a União Europeia é quem está em melhor condições para o poder impor à FIFA, mas também às outras confederações, incluindo à UEFA e ao Comité Olímpico Internacional", conclui.

O plano de Infantino parece estar pronto para avançar, faltando apenas pronunciarem-se a confederação da Oceânia e a Confederação da América do Sul.

Além disso, a reeleição do atual presidente parece ser uma mera formalidade, com várias federações a manifestarem o seu apoio ao ítalo-suíço.

  • Fonte: Rádio Renascença
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