Passos Coelho: "Polémicas" no Governo vão "além da espuma dos dias" e merecem "ação"
- 30/07/2026 15:44
- Redação
Esta quinta-feira, à margem da apresentação do livro "Desbloquear o Crescimento de Portugal", o antigo primeiro-ministro falou aos jornalistas. Apesar de garantir que não quer "deitar achas para a fogueira", não se absteve de assumir que os mais recentes casos não o deixam descansado.
"Julgo que não haverá ninguém que esteja despreocupado com o que se passa. Estas situações que têm vindo a ocorrer não devem ser tomadas como uma mera espuma dos dias, porque estão para além da espuma", avisou Passos no Museu do Oriente, em Lisboa.
"Eu não queria estar a falar das polémicas mais recentes, podia tê-lo feito em outras ocasiões. Tenho escolhido não o fazer", começou por dizer. No entanto, depois de se referir às "polémicas" e de dizer que elas vão "além da espuma dos dias", Passos Coelho sugeriu que precisam de "alguma ação".
"Isso remete para uma reflexão e para alguma ação que é preciso empreender, para a qual eu não quero estar, nesta altura, a deitar achas para a fogueira", atirou.
Passos Coelho lembra que o facto de "não estar no ativo da política não significa que não preste atenção às coisas" e remata : "Não escondo que estaria muito mais satisfeitos se elas não tivessem acontecido".
O antigo primeiro-ministro teceu duras críticas a Luís Montenegro na altura em que Luís Neves foi nomeado ministro da Administração Interna. À época, Passos Coelho defendeu que abria um "precedente grave" por ser uma passagem direta da liderança da Polícia Judiciária para o Governo.
Sobre o livro apresentado, escrito por James Robinson, Nobel da Economia e autor do livro "Porque Falham as Nações" e por Nuno Palma, professor universitário em Manchester, Passos Coelho diz que as recomendações são "um bom ponto de partida".
O antigo primeiro-ministro considera que a recomendação de ter os tribunais a decidir em 90 dias "pode funcionar", mas não tem de ser essa a reforma que o país tem forçosamente de fazer.
Durante a apresentação do livro, o professor Nuno Palma criticou de forma clara o excesso de "propaganda" dos sucessivos Governos, que dificultam a assunção de que é preciso mudar. Passos subscreve.
"Às vezes, mais vale uma boa ação do que muitos discursos", começou por dizer aos jornalistas, acrescentando que "as coisas não mudam só com discursos" e finaliza: "A parte da comunicação não pode transformar-se no objeto, senão é só propaganda, é só conversa".
Nesta resposta, o antigo primeiro-ministro não se referiu diretamente ao atual Governo, falou genericamente para os sucessivos políticos que têm governado o país nas últimas décadas.