Cancro do pulmão aumenta entre mulheres e não fumadores
- 31/07/2026 01:15
- Redação
O cancro do pulmão é a principal causa de morte por doença oncológica em Portugal e no mundo. Por ocasião do Dia Mundial do Cancro do Pulmão, que se assinala a 1 de agosto, os especialistas alertam para a necessidade urgente de reforçar a prevenção, implementar programas de rastreio e acelerar o diagnóstico precoce.
Apesar da tendência de estabilização ou diminuição dos casos entre os homens, os diagnósticos continuam a aumentar entre as mulheres e também entre pessoas que nunca fumaram . Uma realidade que preocupa os especialistas.
“Uma das principais causas poderá ser a prevalência do tabagismo nas mulheres , que acabou por ter uma curva de incidência um pouco mais atrasada comparativamente com a população masculina e podemos estar agora a acolher os malefícios desse incremento do tabagismo”, afirma.
No caso das pessoas que nunca fumaram, o especialista aponta vários fatores de risco.
“Sabemos que 15% a 20% dos cancros do pulmão se desenvolvem em pessoas que nunca fumaram . A exposição ao fumo do tabaco, a exposição profissional a gases potencialmente cancerígenos, fatores genéticos, o próprio envelhecimento da população e fatores alimentares podem contribuir para o aumento destas neoplasias”, explica.
O GECP insiste que a melhor forma de combater a mortalidade associada ao cancro do pulmão passa por detetar a doença numa fase inicial, antes do aparecimento de sintomas graves.
Segundo David Araújo, o principal desafio é precisamente o carácter silencioso da doença.
“O tumor do cancro do pulmão é um tumor silencioso . Quando é pequeno não dá grandes sintomas. Muitas vezes as pessoas só recorrem ao médico quando ele já está espalhado para outros sítios e aí a probabilidade de conseguirmos curar é francamente baixa”, alerta.
O especialista sublinha que “está provado em grandes estudos internacionais que o rastreio diminui a mortalidade entre 20% a 30% e consegue inverter esta pirâmide de diagnóstico entre estádios mais metastáticos e estádios mais precoces”
Por isso, o grupo de especialistas defende a criação de um programa nacional de rastreio para as populações de maior risco.
Nos últimos anos, a investigação científica tem permitido avanços significativos no tratamento do cancro do pulmão. Terapias-alvo, imunoterapia e novos anticorpos estão a proporcionar tratamentos mais eficazes e menos agressivos.
“Temos vindo a ter a oportunidade de utilizar grandes inovações terapêuticas, nomeadamente terapêuticas de alvo, imunoterapia e agora também anticorpos conjugados e anticorpos biespecíficos”, explica David Araújo.
O médico destaca que muitos doentes conseguem, atualmente, viver durante vários anos com doença avançada, mantendo uma boa qualidade de vida.
“Temos doentes hoje em dia que têm doenças metastáticas e que conseguem ter o tumor controlado e com uma excelente qualidade de vida durante três, quatro, cinco e às vezes até dez anos. Isso era algo completamente impensável há dez anos”, salienta.
Apesar da evolução dos tratamentos, o especialista insiste que a prioridade deve continuar a ser a prevenção, sobretudo através do combate ao tabagismo.
“O principal fator de risco continua a ser o tabagismo e temos de fazer muito mais em campanhas de cessação tabágica, sensibilizar a população para não fumar e para não começar a fumar”, defende.
David Araújo mostra-se particularmente preocupado com o aumento do consumo de novos produtos de tabaco entre os mais jovens, considerando essencial reforçar as campanhas de sensibilização e promover estilos de vida saudáveis.
Segundo os dados citados pelo GECP, o cancro do pulmão foi responsável por 4.490 mortes em Portugal em 2023 e o tabaco continua associado a cerca de 85% dos diagnósticos da doença.