Conselheiro de Infantino na FIFA demite-se: "Não tive qualquer envolvimento nesta proposta e sou contra ela"
- 31/07/2026 06:32
- Redação
Carlos Cordeiro, o principal conselheiro do presidente da FIFA, Gianni Infantino, demitiu-se na sequência da apresentação da proposta de venda de direitos de comercialização do Mundial.
Na manhã desta sexta-feira, o dirigente confirmou a sua demissão numa publicação no LinkedIn. "Como conselheiro sénior do presidente da FIFA, ex-banqueiro e fã de futebol, não posso permanecer indiferente enquanto a FIFA considera vender uma participação no Mundial", começa por escrever Cordeiro.
"Quero ser claro: não tive qualquer envolvimento nesta proposta e oponho-me de forma inequívoca. É um mau negócio para as Associações da FIFA, um mau negócio para o futebol e um mau negócio para o futuro a longo prazo do desporto", reitera.
Carlos Cordeiro revela não compreender as razões para esta súbita necessidade de mais investimento, questionando a forma como as Federações estão a ser pressionadas pela proposta.
"O mais preocupante de tudo é a ausência de respostas a questões fundamentais. Porquê este acordo? Porquê agora? Que mecanismos de supervisão existem? Quem beneficia? Houve um processo concorrencial? Que estrutura de governação será implementada? O que irão os investidores ganhar, em última análise, e a que custo para o futebol?
Estas questões permanecem, em grande parte, sem resposta e, no entanto, está a ser pedido às Federações que tomem uma decisão de enormes consequências em apenas 50 dias, sob pena de ficarem para trás. Essa não é uma forma responsável de determinar o futuro do desporto mais popular do mundo."
"A responsabilidade da FIFA não é maximizar os rendimentos comerciais a qualquer custo. É proteger e fortalecer o futebol para as gerações futuras. Quando esses princípios entram em conflito, o futebol deve estar em primeiro lugar", conclui.
Cordeiro, descendente de um português, é uma figura de peso dentro da FIFA, onde entrou em 2021. Desde maio de 2025, é um dos braços-direito do presidente da Infantino.
É ex-presidente da federação de futebol dos Estados Unidos e esteve 26 anos na Goldman Sachs, onde esteve durante 26 anos.
A sua demissão é um mais golpe pesado para Infantino. Ainda antes da demissão, já a UEFA, a CONCACAF e a AFC (Europa, América do Norte e Ásia) haviam se pronunciado contra os planos de Infantino, contabilizando 143 das 211 federações, colocando, desde já, em causa a aprovação do plano.
Os europeus foram mais longe e anunciaram um boicote das seleções europeias às competições da FIFA enquanto a proposta de Infantino existisse.