Bispo de Bragança solidário com o MAI. "Estamos em situação de emergência"

Bispo de Bragança solidário com o MAI. "Estamos em situação de emergência"

  • 31/07/2026 11:28
  • Redação

"Precisamos que o senhor ministro esteja concentrado a liderar a Proteção Civil e tudo aquilo que se refere a esta situação de emergência. Não nego a necessidade de se apurar a verdade [sobre os casos], mas não tem a mesma importância que tem esta situação de emergência, sobretudo de quem está no terreno", começa por afirmar, apontado o dedo à classe política.

"Dá-me a impressão que há alguns partidos políticos que vivem demasiado tempo no ar condicionado. Não têm a noção da realidade, do que é enfrentar os incêndios, o que é ver os bens desaparecer, o risco de vida em que muita gente está, a começar pelos bombeiros, pela GNR e pelos populares", refere.

"Ainda o ano passado vivi um momento dolorosíssimo, na presença do Presidente da República e do senhor ministro da Defesa, no funeral de um popular que foi para os incêndios ajudar, com as máquinas que tinha, e acabou por morrer, precisamente aqui, na zona de Mirandela. Foi um momento tão difícil", recorda.

Na nota, o bispo manifesta solidariedade para com o MAI, salvaguardando a necessidade de esclarecer os casos que têm vindo a público. "Independentemente da necessidade de se apurar toda a verdade dos factos (...) é muito estranho que na fase crítica em que nos encontramos se desviem atenções e se ocupe tanto tempo e energias. (...) Estamos em situação emergência!".

"Tenho consciência de que estou a entrar aqui num tema polémico, e aguento e aceito a discordância, e até a correção, se for caso disso. Mas, em consciência, deveria dizê-lo: dispersar agora, fazer tanto ruído, fazer luta política num momento destes, julgo que não tem sentido, que é absurdo. Dá sinal de que temos políticos e comentadores que vivem fora da realidade, isto é, num mundo virtual, num mundo teatral, que não é o que o povo português precisa neste momento."

D. Nuno Almeida lamenta que todos os verões o país arda. "Todos os anos é isto. Tenho participado em muitas festas e romarias, típicas desta altura do ano, e estamos sempre a respirar fumo e faúlhas dos incêndios à volta. É muito difícil, porque depois ficam as cinzas nos olivais, nos amendoais e nas vinhas", conta.

Os fogos deixam marcas que não se apagam, agravando a desertificação. "Tudo isto vem tornar mais difícil a vida das pessoas de Trás-os-Montes – que é um 'reino maravilhoso', na expressão de Miguel Torga, mas que nesta altura se torna, por vezes, uma experiência de muita ansiedade".

O bispo acompanha com preocupação o evoluir dos incêndios na região, em particular o de Mirandela, onde decorrem as festas da Senhora do Amparo, mas acredita que não haverá necessidade de cancelar as celebrações previstas.

"Amanhã, sábado [1 de agosto], haverá uma grande procissão e a celebração da Eucaristia, tudo ao ar livre. Claro que o fumo e as cinzas que caem não tornam o ambiente propício para que vivam estas festas com serenidade, mas julgo que neste momento há algum controlo e não será necessário cancelar nada."

Intitulada "Zelar pela Casa Comum: prevenir, evitar e combater os incêndios", a nota pastoral divulgada pela Diocese de Bragança-Miranda, na quinta-feira, apela ao "firme compromisso" de todos na prevenção dos incêndios, que exige uma urgente "mudança de mentalidade e hábitos sociais".

O bispo agradece às diversas entidades envolvidas no combate às chamas. "Deixamos uma palavra de coragem e profunda gratidão aos Bombeiros e elementos da GNR (...), bem como às demais forças de segurança, entidades civis e voluntários". que, no âmbito da Proteção Civil, desenvolvem todos os esforços para salvar vidas e evitar mais perdas de bens", escreve D. Nuno Almeida.

"Toda a sociedade, nas suas diversas instâncias, deve sentir-se convocada e mobilizada: o Estado com os seus responsáveis mais diretos; a Igreja e todas as outras confissões religiosas; as autarquias locais de maior e menor dimensão; as escolas nos seus sucessivos graus de ensino; a comunicação social nas suas diversas valências; as mais variadas associações e muitas outras instituições, seja qual for a sua dimensão. Mas todos, de forma concertada, unidos, concentrados no que é mais importante e urgente."

D. Nuno Almeida deixa um apelo particular "à Cáritas Diocesana, Centros Sociais Paroquiais e a todas as comunidades cristãs para que tudo façam para comprometer os seus membros nesta causa que é tão cristã quanto humana e pedimos que todos sigam sempre com atenção as orientações dadas pelas autoridades".

  • Fonte: Rádio Renascença
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