Polémica "passa ao lado" de Tralhão, que persegue a história na Supertaça: "Por que não?"

Polémica "passa ao lado" de Tralhão, que persegue a história na Supertaça: "Por que não?"

  • 31/07/2026 13:50
  • Redação

A polémica da arbitragem "passa ao lado" de Luís Tralhão, que não tira qualquer conforto de já se conhecer bem os "segredos" do FC Porto de Francesco Farioli e sonha com levar o Torreense à conquista da Supertaça.

Para Tralhão, o foco está todo no FC Porto, cuja imutabilidade face à temporada passada "não dá conforto rigorosamente nenhum". O técnico refere um fator em que os dois clubes estão "em pé de igualdade", apesar de não entrar na "utopia" de que se encontram em patamares semelhantes, e assume a ambição de levar o Torreense ao estatuto de primeira equipa da II Liga a conquistar a Supertaça: "Por que não?"

Se o Porto não mudou muitos jogadores para já, e é expectável que o onze inicial seja semelhante ao que terminou a época, não dá conforto rigorosamente nenhum. Sabermos o que eles fazem é importante, mas todas as equipas da I Liga sabiam e não deixaram de ter muitas dificuldades contra eles. Como na Liga Europa. O Porto é uma equipa de nível mundial, que vai competir na Liga dos Campeões. Independentemente de nós sabermos o que eles fazem, vai ser extremamente difícil contrariá-los, mas acreditamos muito no que nós fazemos. Estamos preparados. Como com todas as equipas, sabemos os pontos fortes deles e os pontos que podemos explorar.

Acredita que o Torreense pode ser a primeira equipa da II Liga a vencer a Supertaça?

Por que não? Nunca ninguém da II Liga tinha conquistado a Taça de Portugal, nós acreditámos que poderia acontecer. Também não estou aqui a dizer que tínhamos uma fé tremenda que ia acontecer. Sabíamos que era possível. E temos muita confiança no que podemos fazer. Podemos criar dificuldades a qualquer equipa e num dia e num jogo, tudo pode acontecer. Tudo aconteceu naquele dia com o Sporting. Estamos aqui porque aconteceu nesse dia e em muitos outros da Taça, não foi só na final. E contra o Porto, acreditamos, como é óbvio, que podemos voltar a fazer. Os jogadores sabem disso, hoje falei com eles que se porventura vencermos o troféu, seremos a equipa que, relativamente à temporada passada, ganhou dois troféus nacionais. Mas isso acontece tanto para nós como para o Porto. Nisso, estamos em pé de igualdade.

Este jogo vai decidir-se em detalhes, mas, para nós, os detalhes são os "pormaiores" e os pormenores. Tudo vai ser importante. A organização geral da equipa a defender e também, quando estivermos a atacar, temos de estar bem colocados, perceber rapidamente se podemos sair de forma mais rápida ou manter a bola... Tudo vai contar. As duas forças não são iguais, não tenho a utopia de dizer que estamos no mesmo patamar do FC Porto, isso seria completamente descabido da minha parte. Mas tudo vai contar e um detalhe extremamente importante vai ser a concentração da equipa ao longo do jogo inteiro. Quando jogamos com equipas deste nível, especialmente num jogo que determina a conquista de um troféu, a concentração em todos os momentos é determinante. Acho que isso foi um dos fatores que nos fizeram ganhar a Taça de Portugal. Manter a calma e tranquilidade durante o jogo inteiro é fundamental, não reagirmos de forma muito emocional a tudo o que vai acontecendo durante o jogo, mantermo-nos fiéis ao que planeámos e, como é óbvio, o futebol é lindo porque, apesar de planearmos tudo e mais alguma coisa neste nível, no fundo, são os jogadores que vão determinar o que vai acontecer dentro do campo. Conto com a magia dos meus jogadores para poder surpreender o FC Porto.

Estamos muito focados no que estamos a fazer, o grupo está muito determinado em fazer novamente uma ótima época e, sinceramente, as conversas internas são sobre nós, como podemos melhorar o nosso processo, como integrar os novos jogadores, como a nossa forma de jogar pode melhorar. Fico satisfeito por saber disso, mas também sinto que há uma cortesia do outro lado em reconhecer o mérito que tivemos. Não vamos ficar deslumbrados. Também sentimos o apoio dos adeptos do Torreense, das pessoas da nossa zona, que estão muito orgulhosas do que fizemos e que se vêem representadas por uma equipa e um clube que fez dignificar toda a região e toda a cidade. Sinceramente, enche-me mais de orgulho, estas últimas semanas, as pessoas que vêm ter comigo em várias zonas do país e que dizem que são de Torres Vedras ou que têm família de Torres Vedras, ou de aldeias ali próximas. Sinto muito mais orgulho quando são pessoas anónimas que se revêem no Torreense e no que fizemos e queremos continuar a fazer.

Sinceramente, não estou muito a par da polémica. Vi os títulos dos jornais, mas não vi nada sobre possíveis declarações. A única coisa que me apraz dizer é: respeito muito os árbitros portugueses, porque são muito competentes. Obviamente que há erros em todos os jogos, assim como eu às vezes falho. Os árbitros também falham, já houve decisões que me deixaram fulo e acabei por protestar, mas tenho de lhes dar uma palavra de apreço, porque é uma profissão muito complicada, alvo do juízo de muitas pessoas e sempre de uma forma muito parcial. É uma profissão muito difícil. E acredito que eles tentam sempre fazer o seu melhor. Honestamente, é uma polémica que me passa completamente ao lado. Nunca vou para um jogo a pensar que um árbitro tem certo histórico com clube A, B ou C. Parto sempre do princípio de que as pessoas vão fazer o seu melhor, assim como eu vou tentar fazer o meu melhor. Se no final do jogo acabam por ter más decisões contra mim, fico chateado, mas não julgo a pessoa em si.

Tem sido igual a outra época qualquer. Estamos muito focados naquilo que controlamos, que é trabalhar no dia a dia. Contratámos 13 jogadores novos. O plantel está extenso. Estamos a tentar integrar os jogadores, integrá-los na nossa cultura e na nossa forma de jogar. Não somos imunes às expectativas que as pessoas criaram e que criam, mas é fruto do nosso trabalho e do nosso resultado. O futebol é mesmo assim. Fizemos um feito histórico e uma época muito brilhante também na II Liga. É fruto do nosso trabalho e temos de saber conviver com isso, mas começamos do zero. O futebol é sempre assim. Era bom que a gente começasse com uma vantagem, mas isso não é assim. Começamos do zero e sabemos do caminho difícil que temos pela frente. Compete-nos sermos iguais a nós próprios, jogarmos para ganhar todos os jogos, lutar do início ao fim e, acima de tudo, acreditarmos que, com a nossa forma de jogar, podemos ganhar mais vezes.

O que me preocupa é a cultura desportiva que há em Portugal. Não somos o único país do mundo que discute a arbitragem, é um fenómeno mundial. Preocupa-me, sim, colocar o foco apenas nos árbitros e não se falar do que é bonito no futebol: os jogadores, a forma de jogar, os adeptos. Isso para mim é fundamental e, depois, acabamos por divergir, na opinião pública, a atenção e falar-se de algo que faz parte do jogo, mas que não é fundamental.

É mais desafiante preparar um jogo com o Sporting no final da época ou com o FC Porto logo no arranque?

São ambos muito desafiantes. Jogar com o FC Porto nesta altura, não estarei longe da verdade se disser que é o adversário teoricamente mais forte que vamos defrontar durante a época. E, com todo o respeito pelo Casa Pia, que nos impediu de aceder à I Liga, terminámos a época a jogar com o Sporting, que tinha sido bicampeão nacional. Há sempre um lado emotivo, sentimos a grandiosidade do outro clube, mas, quando pensamos nas coisas e fazemos o nosso trabalho, no fundo, é um jogo como outro qualquer. Parece muito simplista da nossa parte ou tentar passar a mensagem de que jogar contra todos os clubes é igual, mas eu tenho de preparar todos os jogos da mesma maneira, mesmo sabendo que o mediatismo é diferente. Há um fator que me ajuda bastante: os jogadores estão super motivados para fazer este jogo. Assim como eu, mas os jogadores são os protagonistas e, quando eles estão motivados e concentrados, é sempre mais fácil para o treinador passar a mensagem.

Não vamos ter duas equipas, temos só uma para as duas competições. Nós não fizemos um plantel para jogar a Liga Europa, fizemos um plantel para jogar a II Liga. O nosso projeto passa por potenciar jovens jogadores. Competir na Liga Europa, a montra é maior e o desafio é maior e, para os jogadores que já cá estavam e têm muita qualidade, como para os jovens que chegaram, vai ser uma experiência fantástica. Mas não é um dado adquirido que haja uma equipa a jogar à quinta e outra a jogar à segunda. Isso não vai acontecer. Obviamente que vai haver mudanças, como todos os jogos nos vão exigir, mas estamos preparados, essencialmente, para competir na II Liga, que é o nosso primeiro foco. E continuar a fazer que o projeto me pede, que é potencializar jovens jogadores, e fazê-los crescer, juntamente com uma equipa que ganhe mais vezes. Queremos vencer todos os jogos, potenciar jogadores e melhorar aqueles que já cá estão.

Não é um relvado que está no topo das condições, mas já nos disseram que estão a fazer tudo por tudo para amanhã estar nas melhores condições. O relvado não vai ser com certeza uma desculpa para nós. Obviamente que queríamos o melhor relvado possível, mas são fatores externos à organização. Não será uma desculpa para nós.

  • Fonte: Rádio Renascença
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