Durand Bernarr em Portugal: “Sinto que ser eu próprio no país onde vivo já é algo político"

Durand Bernarr em Portugal: “Sinto que ser eu próprio no país onde vivo já é algo político"

  • 01/08/2026 07:30
  • Redação

Uma sala cheia de personalidade, mas sem egos à mistura. O cantor, compositor e produtor norte-americano, Durand Bernarr, regressou a Portugal no sábado passado, pela primeira vez a solo.

Depois de reforçar as camadas neo-soul de Erykah Badu como vocalista de apoio em Cascais, em 2012, e no Porto, em 2019, o músico voltou agora recém-laureado depois do sucesso de “BLOOM” (2025), distinguido este ano com o seu primeiro Grammy, na categoria de “Melhor Álbum R&B Progressivo".

No Cais do Sodré, em Lisboa, o Clube B.Leza transpirou verdade em cada música, sem rótulos, preconceitos ou expectativas, tal como era o desejo do cantor: “Não tento seguir modas.”

Natural de Cleveland, Bernarr cresceu embalado pelos treinos vocais da mãe, professora de música, e pelas arquiteturas sonoras do pai, engenheiro de áudio que trabalhou com várias superestrelas, como Whitney Houston, Beyoncé e Earth, Wind and Fire.

Vasculhar o catálogo de Bernarr pode demorar um pouco. Mergulhado nas sonoridades de soul, funk, gospel e R&B contemporâneo, o músico lançou-se para a indústria com a primeira mixtape em 2009 e seguiram-se outras tantas, como “8ight: The Stepson of Erykah Badu” (2010), onde reuniu medleys que acabaram por impressionar Erykah.

De mão dada a Erykah, Bernarr foi fazendo um pouco de tudo. Com todos. E o reconhecimento foi aparecendo naturalmente.

Com quatro álbuns de estúdio, participações em concursos de televisão, mais de 40 colaborações, centenas de entrevistas e milhões de ouvintes, o artista de 37 anos sabe que o caminho até aos holofotes nem sempre é fácil – sobretudo sendo negro e homossexual. Ser Bernarr “é um ato radical”, acredita.

Quando questionado sobre a possibilidade de algum dia criar um álbum somente político, Bernarr surpreendeu-se com a pergunta, mas atirou sem pensar duas vezes: “Sinto que ser eu próprio no país onde vivo já é algo político..., mas quem sabe. Literalmente político até seria interessante.”

“Eu apenas adoro o que faço e só tenho sido eu próprio”, disse, mas garante que não se vai deixar iludir pelo gramofone dourado.

“Mesmo depois de ter ganhado o Grammy, não há nenhum ego em mim. Mantenho-me disponível para acompanhar a Erykah Badu ou outra pessoa que precisar de mim”, insistiu.

Bernarr sente-se feliz por continuar a ser “segunda voz de alguém”, contou, revelando que “é um dos passatempos que acabou por se tornar numa fonte de rendimento.”

E se os papéis se invertessem? A banda de Bernarr não tem coro fixo, por enquanto, mas o músico sabe que artistas famosos convidaria.

“Diria Toni Scruggs e a minha amiga Jade Novah, que faz uma ótima imitação da Beyoncé e já foi corista para a Rihanna”, desvendou.

Já quase com um pé de volta aos Estados Unidos da América, o músico vai juntar-se, de agosto a outubro, à digressão mundial da cantora norte-americana Kehlani como artista de abertura.

“Depois de fazer quatro tours no ano passado, sendo uma delas com a Erykah Badu para comemorar o 25º aniversário do álbum ‘Mama’s Gun’, estava a planear descansar este verão por Londres, mas a Kehlani tinha outros planos. Tenho só tentado gerir o meu tempo, porque a privação de sono é real", confessa.

Bernarr e a equipa já têm (quase) tudo alinhado para escapar à exaustão e esperam que esta seja uma viagem “leve” pelos EUA, capaz de surpreender os fãs da Kehlani que também levou este ano para casa o primeiro Grammy da sua carreira com o single “Folded” (2026), como “Melhor Performance R&B”.

“Estou curioso pela reação dos fãs ao, finalmente, verem-me ao vivo. Conhecer-me é amar-me", remata.

  • Fonte: Rádio Renascença
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