A Volta a Portugal passa à minha porta? Veja aqui o percurso
- 03/08/2026 05:05
- Redação
A Volta a Portugal 2026 introduz várias novidades, desde o regresso ao Algarve à recolocação do contrarrelógio individual, do Peso da Régua a uma dupla subida à Senhora da Graça.
Para quem quiser ir ver os ciclistas pedalar montanha acima ou saber se, abrindo a janela, poderá ver o pelotão acelerar rua abaixo, Bola Branca deixa o guia do prólogo e das dez etapas da Grandíssima, por onde passam e os maiores desafios.
Lisboa volta acolher a largada da Volta a Portugal, como em 2022. É um contrarrelógio individual mais longo que o normal, ao longo do Rio Tejo.
A primeira etapa em linha vem com uma das grandes novidades desta edição, a Lourinhã. À primeira vista, é um final talhado para os sprinters, no entanto, o terreno ondulado, típico da região, pode desgastá-los ainda antes de chegarem à reta final.
Há uma subida de terceira categoria em Montelavar e outra em Sintra, a cerca de 13 quilómetros da meta, que pode proporcionar uma fuga para a vitória.
Do Alentejo ao Algarve e com promessa de muito calor, esta, sim, é uma etapa claramente feita para a chegada ao sprint: longa e praticamente plana.
Exceção feita um prémio de montanha de terceira categoria a meio e a duas curtas subidas no quilómetro e meio final — estas últimas podem tramar os sprinters que privilegiam mais a velocidade pura.
As temperaturas altas podem mesmo ser o principal fator de desgaste desta etapa, que conta com uma subida de terceira categoria ao Castelo de Monsaraz. As metas móveis nos últimos 50 quilómetros e o perfil da aproximação à meta permitem antever um final emocionante.
A Serra da Estrela entra de rompante na Volta. Os primeiros 40 quilómetros dão uma falsa sensação de segurança, antes da longa subida do Alto do Braçal, que obrigará o pelotão a pedalar 13,9 quilómetros a 4,1% de inclinação — o primeiro quilómetro chega a ter um trecho de 8,4%.
Depois de uma meta móvel em plano, para recuperar o fôlego, seguem-se duas ascensões quase consecutivas de terceira categoria ao Alto da Portela de Gavião do Armadouro, numa sequência de altos e baixos que desgastará o pelotão.
Até que, depois de cerca de 20 quilómetros de relativa paz, começa a mítica subida à Torre, a única escalada de categoria especial da prova. São 21,8 quilómetros quase sempre a subir, a 6,3% de declive — mais de 10% do segundo ao oitavo quilómetro, chegando a atingir os 12,3%.
Depois da etapa mais longa e da etapa mais alta, vem a etapa mais rápida da Volta.
O contrarrelógio individual, que desta vez não foi guardado para o último dia, poderá servir para os especialistas ganharem segundos preciosos, antes do dia de descanso e de a caravana seguir para o Norte do país, onde entrará no trecho decisivo.
O pelotão regressa do descanso com uma etapa imprópria para quem enjoa facilmente em veículos em movimento.
A Volta a Portugal homenageia a Estrada Nacional 222, que serpenteia Rio Douro acima e é considerada uma das mais belas do mundo, com uma etapa que, com o seu percurso acidentado — uma subida de terceira categoria e outra de segunda, esta a 4,5% de inclinação ao longo de 7,8 quilómetros —, não dará descanso aos ciclistas.
Exigente para os protagonistas e bela de se ver para quem acompanhar pela televisão, com a paisagem do Douro Vinhateiro como pano de fundo.
A tranquilidade dos primeiros 50 quilómetros ë enganadora e termina de forma abrupta, quando o pelotão entra no Parque Nacional da Peneda-Gerês. É uma introdução violenta à primeira área protegida criada em Portugal, com um prémio de montanha de primeira categoria: são 12 quilómetros a 5,8% de inclinação, sempre acima dos 7,5% entre o quinto quilómetro e o 13º.
O pelotão visita Espanha durante cerca de dez quilómetros, certamente uma das mais breves invasões de território vizinho da história, e após uma descida até Britelo, entra outra das grandes novidades desta edição, um dos troços mais exigentes do traçado: a subida ao Germil, em Ponte da Barca.
É uma subida de primeira categoria, com 11,9 quilómetros a 6% de declive (chega a atingir os 14%) e metade do percurso em paralelos.
A etapa termina com uma subida de terceira categoria, com meta no alto, na Vila do Gerês.
A oitava etapa é, na maioria da sua extensão, o descanso merecido depois da intensidade do Gerês. Ainda assim, tem duas subidas de terceira categoria, para dar um abanão ao pelotão.
A segunda pode condicionar a chegada ao sprint, pela proximidade à meta. Fafe pode ser palco de um final de etapa entusiasmante.
A "etapa rainha" traz uma novidade: uma dupla subida à Senhora da Graça, a segunda em terra batida.
Vamos por partes. Os primeiros 60 quilómetros servirão para aquecer as pernas para o que segue. E o que se segue começa com uma subida de terceira categoria ao Alto de Lameira. O pelotão desce, então, até Bormela, antes de começar a trepar até à Senhora da Graça por Carvalhais, numa escalada de 9,5 quilómetros a 6,8% de declive — que nos primeiros três quilómetros supera os 15% e, no último, será percorrido em terra batida, a 7,9%.
Seguem-se uma descida e cerca de 20 quilómetros para recuperar o fôlego (com um prémio de montanha de terceira categoria pelo meio, no Arco de Baúlhe), até que a caravana enfrenta a segunda subida mais dura da prova: são 8,7 quilómetros até à meta na Senhora da Graça, a 7,2% de inclinação, que nunca desarmam e ultrapassam os 10% em vários trechos.
Se da Senhora da Graça não sair o novo campeão, do coração do Norte sairá de certeza.
São praticamente 100 quilómetros de acalmia, até à entrada na antiga, mui nobre, sempre leal e invicta cidade do Porto.
A partir daí, são ruas estreitas, um vaivém entre Porto e Vila Nova de Gaia, pontes e mudanças de ritmo, que poderá fraturar o pelotão e frustrar uma eventual chegada ao sprint.
A Volta a Portugal 2026 termina na icónica Avenida dos Aliados, da Praça da Liberdade até à Câmara. A torre do relógio, com cerca de 70 metros de altura, será um farol para os ciclistas, a luz ao fundo do túnel de 11 dias sempre a pedalar.