Marrocos culpa tribunais espanhóis pela invasão a Ceuta
- 03/08/2026 09:01
- Redação
A invasão de Ceuta por milhares de imigrantes é culpa da justiça de Espanha, acusa Marrocos. “As recentes decisões emitidas pelas autoridades judiciais espanholas, que limitam a possibilidade de aplicação do procedimento de devolução imediata a certos migrantes irregulares intercetados no mar, desempenharam um papel particular. Estas decisões, juntamente com interpretações erradas e a divulgação de informações enganosas, reforçaram a crença entre alguns potenciais migrantes de que era possível evitar a deportação imediata.”
É assim que em comunicado o porta-voz do ministério do interior de Marrocos explica a crise migratória que desde no final da semana passada fez entrar dezenas de milhar de pessoas em Ceuta.
Segundo Rabat, este conjunto de fatores “fomentou o aparecimento de um método que privilegia a travessia a nado, considerado por alguns como uma forma de maior probabilidade de evitar a devolução imediata”.
Marrocos contesta também os números que têm sido divulgados pelos vizinhos espanhóis.
Afirma que os dados estatísticos “precisos disponíveis pelas autoridades competentes”, baseados em sistemas operacionais de monitorização e rastreio implementados nos pontos de partida daqueles que tentam estas travessias irregulares, “permitiram estabelecer o número real de pessoas envolvidas”.
“Este número corresponde a aproximadamente 40 mil pessoas que se dirigem para Ceuta e 1.135 pessoas que se dirigem para Melilla”, concretiza o comunicado. “Todos os que conseguiram chegar a Melilla foram imediatamente devolvidos”, acrescenta
Em Espanha, tem-se avançado números entre os 50 e os 60 mil migrantes que entraram em poucas horas em Ceuta.
“Estes números baseiam-se em dados estatísticos e de campo precisos, recolhidos através de mecanismos técnicos de monitorização e rastreio, o que os torna a referência oficial, ao contrário de alguns números que circulam sem base em dados fiáveis ou critérios objetivos”, critica Marrocos.
Também em relação ao número de mortos, Rabat tem valores diferentes dos que têm sido veiculados em Espanha. “Até à data, estes acontecimentos resultaram numa morte acidental, após uma queda de uma zona rochosa perto de Ceuta, além de dez mortes por afogamento”, sublinha.
Sobre as notícias de outras mortes em Ceuta, as autoridades marroquinas dizem continuar, através de canais oficiais de cooperação e coordenação com as autoridades espanholas, “as verificações necessárias para apurar a veracidade da informação, o número real de pessoas envolvidas, bem como a sua identidade e nacionalidade, a fim de realizar os procedimentos legais, administrativos e humanitários necessários”.
Em Espanha, o governo de Madrid fala de 72 mortos e as autoridades locais em Ceuta de 88 vítimas mortais.
Na mesma comunicação, está ainda anunciado que que o Ministério Público marroquino instaurou, no âmbito da sua competência legal, inquéritos judiciais sobre todos os atos e factos relacionados com estes acontecimentos, “a fim de apurar todas as circunstâncias, identificar os responsáveis e chegar às conclusões jurídicas previstas na lei”.
Por fim, o Reino de Marrocos diz que a gestão da migração só pode ser alcançada através de uma “abordagem abrangente baseada na responsabilidade partilhada”, baseada na solidariedade efetiva e na repartição de encargos, e garante ser um “parceiro fiável e responsável”.