Livre quer responsável por alegada invasão do gabinete de Ventura afastado do Parlamento
- 03/08/2026 18:59
- Redação
O Livre defendeu hoje que os responsáveis pela alegada invasão do gabinete do líder do Chega sejam "banidos de qualquer associação ao Parlamento" e quer que o Conselho de Administração esclareça as regras em vigor à data.
"Não conhecemos ainda os contornos, mas o que aconteceu foi certamente grave, de uma seriedade inédita em décadas de democracia", afirmou o deputado Rui Tavares, em declarações aos jornalistas no Parlamento.
O anterior porta-voz do Livre lançou o desafio aos restantes partidos para que se comprometam a "banir de qualquer associação ao Parlamento" o responsável, ou os responsáveis, pela alegada invasão, caso tenham qualquer ligação a uma força política.
"Se foi deputado, jamais possa vir a ser candidato. Se é assessor ou funcionário, jamais possa continuar a trabalhar aqui", propôs Rui Tavares.
Rui Tavares defendeu que, a par da investigação judicial, "há conclusões políticas que têm de ser retiradas" e que "não pode haver sobre a casa da democracia e um órgão de soberania do país o labéu, a suspeita de haver alguém, quem quer que seja, assessor, funcionário, eventualmente deputado, que fosse capaz de fazer aquilo que aconteceu" há cerca de uma semana.
Na terça-feira de manhã, o Chega divulgou um vídeo nas redes sociais, alegando que o gabinete de André Ventura, na Assembleia da República, tinha sido invadido e remexido. A PJ esteve no local a realizar diligências. O líder do Chega disse terem desaparecido documentos relativos à comissão de inquérito aos mandatos de Luís Neves à frente da PJ e outros referentes ao gabinete do primeiro-ministro.
"É um compromisso que não é judicial, não é uma pena, mas é, do ponto de vista político, absolutamente essencial para que toda a gente veja quem é que tem a consciência absolutamente tranquila de dizer que qualquer pessoa que no grupo parlamentar A, B ou C esteja associada a tais acontecimentos é uma pessoa que não tem lugar nesta casa", defendeu.
"Acredito que todos os grupos parlamentares o poderão dizer", afirmou Rui Tavares, acrescentando que, "se não o dissessem, então aí alguma coisa estranha se estaria a passar", considerando que "há crime" e que "a vítima é a democracia em primeiro lugar".
O deputado do Livre adiantou igualmente que vai pedir ao Conselho de Administração da Assembleia da República, na próxima reunião, que esclareça se as regras sobre o fecho das portas dos gabinetes "estavam ou não em vigor à data dos acontecimentos".
"Além disso, no quadro do Conselho de Administração temos estado a discutir já há algum tempo o pedido por parte da secretária-geral a um grupo de trabalho da PSP e da GNR para melhorar as condições de segurança no Parlamento, trabalho esse ao qual o Livre tem dado sempre todo o seu apoio [...] para que aumentem as regras de segurança nesta casa, onde há uma série de falhas e vulnerabilidades que são riscos à espera de acontecerem", indicou.
O deputado adiantou que vai propor também, na próxima reunião, que as recomendações desse grupo de trabalho possam ser votadas de forma separada para que vão sendo implementadas "o mais depressa possível".
Tavares considerou ainda que o assunto deveria ter sido referido hoje, na reunião da Comissão Permanente.
"Um órgão de soberania que é devassado, não importa que gabinete, que deputado, e que é devassado para produzir um efeito que beneficiaria diretamente o Governo, em qualquer país que se levasse a sério, isto provocaria uma crise de regime", referiu.