Braga acolhe o "maior acampamento regional de escutismo da história"
- 04/08/2026 01:30
- Redação
Com uma mochila quase maior do que ele, Guilherme traz o seu pequeno mundo às costas. É um dos participantes do ACAREG 2026 - Acampamento Regional de Escutismo de Braga, que decorre até 8 de agosto, na montanha da Penha, em Guimarães.
Entre a roupa, a escova de dentes, a esteira e as sapatilhas está o peluche que o acompanha sempre. “É o meu panda, o Dady”. “durmo sempre com ele”, conta-nos o lobito de seis anos que participa no segundo acampamento de escuteiros.
“O que fazemos? Brincámos, montámos tendas e… depois, desmontámos”, resume o menino admitindo que a última parte é que “dá mais trabalho.”
Mais velhos, já com engenho de escuteiros, Gonçalo e Guilherme – outro Guilherme –, montam uma estrutura de madeira de apoio para uma futura cozinha.
“Estamos a fazer o fogão, o suporte para o fogão”, explica Guilherme, enquanto segura dois paus de madeira . “Depois temos de meter um pauzinho para baixo para segurar nisto e o fogão fica aqui em cima”, conclui.
Estamos entre exploradores, escuteiros dos 10 aos 14 anos, num dos quatro campos dos 54 hectares do acampamento regional de escuteiros de Braga, o ACAREG, “o maior de sempre”, sublinha Joaquim Castro de Freitas, do Corpo Nacional de Escutas (CNE).
“É, de longe, o maior acampamento regional do CNE em Portugal e é o maior da nossa história, de todos os que já fizemos”, resume o responsável, enquanto explica que à área do Centro de Escutismo da Penha a organização juntou ainda vários hectares de privados que cederam espaço para a atividade.
No espaço que ultrapassa as fronteiras do parque há um hospital, uma cantina para os lobitos – escuteiros mais pequenos que ainda não cozinham – e uma creche para os filhos dos escuteiros mais velhos, como é o caso de Catrina Miranda, a chefe regional de Braga, que trouxe os filhos de três e cinco anos.
“Os meus filhos estão na ACA-Creche. Há uma creche para dar aqui suporte para que os dirigentes possam acompanhar os escuteiros ou estar nos serviços”, explica.
Numa das zonas mais sossegadas no acampamento está instalada uma tenda com colchões e almofadas que convidam ao descanso. É uma zona de escuta a pensar no bem-estar mental. “A ideia surgiu no pós-pandemia”, conta-nos a responsável.
“Teremos psicólogos para aquelas crianças e jovens que se possam estar a sentir mais ansiosos, que queiram ser escutados, que queiram partilhar alguma mensagem ou ser ouvidos, porque é tão importante fazer, como saber parar”, sublinha Catarina Miranda.
Joaquim Castro de Freitas, do Corpo Nacional de Escutas, explica que o acampamento serve de espelho da escola do escutismo: onde há espaço para errar e para aprender com os erros.
“Este é um movimento que educa muito pelo erro, nós não nos importamos que as nossas crianças falhem, desde que percebam que é onde é que falharam e depois falhem noutra coisa diferente, mas não nesta”.
“Isto é uma das coisas mais bonitas dos escuteiros, que nos diferencia muito. A sociedade anda toda à procura da perfeição e nós dizemos não, nós queremos o oposto disso. Queremos que venham, façam asneiras, controladas, em ambiente seguro, e com elas vão aprendendo. Assim vão tornando-se melhor pessoas com uma vida", afirma Joaquim Castro de Freitas.
E aos cinco mil participantes junta-se o arcebispo primaz de Braga, D. José Cordeiro.
“Eu também me sinto participante desta experiência, quero ser servidor da alegria, passarei o mais tempo possível. Dormirei algumas noites, passarei alguns dias inteiros aqui no ACAREG”, conta o prelado de Braga, para quem a vitalidade do movimento escutista é reveladora do entusiasmo dos jovens na Igreja.
“É de uma enorme vitalidade dos jovens e do modo especial do movimento escutista e, em especial, também, na Arquidiocese de Braga onde são cerca de 14 mil”, sublinha D. José Cordeiro.
“Este ACAREG, que se quer o maior de sempre, conta com a participação de mais de cinco mil crianças, adolescentes e jovens, com os adultos que os acompanham, porque o segredo está sempre aqui, nos adultos na fé a acompanhar os jovens”.
Na Penha, no Centro Escutista de Guimarães, o acampamento está montado por uma semana que desafia os jovens “à alegria, à entrega, à audácia e à partilha” – o mote para esta que é a maior atividade regional de escutismo deste verão.