Hantavírus fez regressar desinformação da era COVID-19

Hantavírus fez regressar desinformação da era COVID-19

  • 04/08/2026 02:26
  • Redação

Os textos alarmistas alertaram para futuros confinamentos e campanhas de vacinação obrigatória. Tal como aconteceu com a COVID, surgiram, ainda, alegações falsas de que certos medicamentos poderiam curar o hantavírus.

A Pew Research é uma organização norte-americana independente e sem fins lucrativos, que se dedica à investigação sobre tendências sociais, opinião pública, demografia, tecnologia, religião, política e meios de comunicação. Num inquérito realizado em maio (Moms, Coaches, Doctors, Entrepreneurs: Who Are America’s Health and Wellness Influencers? | Pew Research Center), conclui que "metade dos adultos norte-americanos, com menos de 50 anos, reconhecem obter informação sobre saúde e bem-estar através de influenciadores nas redes sociais".

Já um relatório do Parlamento Europeu de 2024 (How to reduce the impact of disinformation on Europeans’ health) apontou, de forma semelhante, para uma vasta gama de fontes — incluindo influenciadores e marcas de bem-estar e estilos de vida — que influenciaram a tomada de decisões das pessoas relativamente à sua saúde.

A Organização Mundial da Saúde já alertou para que designou como "infodemia" de saúde (Infodemic), em que "o excesso de informação, incluindo informação falsa ou enganosa, em ambientes digitais e físicos, durante um surto de doença, causa confusão e comportamentos de risco que podem prejudicar a saúde".

Existem muitos exemplos de desinformação que levam as pessoas a tomar más decisões sobre a sua saúde (The real cost of health misinformation and how fact-checkers work to address it – European Fact-Checking Standards Network (EFCSN)) , com consequências fatais (John’s story: when health misinformation leads to harm – Full Fact).

No relatório sobre o hantavírus, a equipa de verificação de dados da Euranet Plus assinala que "o Observatório Europeu da Saúde (Navigating public health in the age of mis- and disinformation) constatou que, cinco anos após a pandemia, a desinformação continuava a ser generalizada e, nomeadamente, as populações vulneráveis, como aquelas com literacia em saúde limitada ou desconfiança pré-existente nas instituições, são afetadas de forma desproporcional, o que agrava as disparidades de saúde já existentes".

A União Europeia (Tackling coronavirus disinformation) lançou iniciativas para combater a desinformação sobre a COVID-19, salientando que "informações enganosas sobre cuidados de saúde, boatos perigosos com alegações falsas, teorias da conspiração e fraudes ao consumidor, colocam em risco a saúde pública".

França lançou, também, um "canal de desintoxicação" (Canal Détox - Salle de presse de l'Inserm) para combater a desinformação na área da saúde, centrando-se nos temas mais recentes, com o objetivo de desmascarar notícias falsas.

De um modo mais geral, os europeus têm sido encorajados (Health information manipulation - Public Health - European Commission) a ponderar, em primeiro lugar, se uma fonte é credível, se a informação está atualizada e se está em consonância com autoridades fidedignas, antes de partilharem informação sobre saúde online.

  • Fonte: Rádio Renascença
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