Radiologia. Há quem tenha de fazer quase duas horas para realizar um exame numa unidade pública
- 04/08/2026 04:06
- Redação
No ano passado, mais de metade dos concelhos do país não tinha acesso a oferta pública de exames de radiologia e há pessoas a fazer quase duas horas para ter acesso a uma unidade pública. A informação consta do relatório da Entidade Reguladora da Saúde, enviado em comunicado às redações esta terça-feira.
A ausência de estabelecimentos convencionados em 154 concelhos de Portugal continental, correspondendo a 55,4% do total de concelhos. Apesar da sua expressiva representatividade territorial, estes concelhos concentravam apenas15,4% da população residente.
No mesmo relatório está escrito que a radiologia se manteve como a quarta área convencionada com maior peso nos encargos do SNS, totalizando 135,6 milhões de euros, mais 3,2% do que em 2024.
Está ainda escrito que em termos de procura, registaram-se 427 requisições por 1.000 habitantes, menos 4,8% do que em 2024, apesar do aumento dos encargos do SNS.
Em 2025, a radiologia manteve-se entre as quatro áreas com maior peso nos encargos do SNS (antecedida pelas áreas da hemodiálise, análises clínicas e medicina física e de reabilitação).
O Norte é a região em que mais se gasta, 54 milhões de euros, e Lisboa e Vale do Tejo vem a seguir com quase 46 milhões de euros. O Alentejo é a região que menos gasta com um total de 4,5 milhões de euros.
A análise dos encargos ajustados à dimensão populacional evidencia que, em 2025, a despesa do SNS com o setor convencionado de radiologia foi de 13.226 euros por 1.000 habitantes em Portugal continental, observando-se um aumento de 412 euros por 1.000 habitantes face a 2024
Os mesmos dados mostram ainda que pouco mais de um quarto dos operadores, 27,7%, foram responsáveis por 80,1% do total de requisições aceites em 2025.
A ERS alerta para que no ano passado, 48,1% da oferta não pública era convencionada, tendo-se constatado a ausência de oferta não pública convencionada em 154 concelhos, correspondente ao 15,4% da população de Portugal continental.
Verificou-se a inexistência de oferta não pública em radiologia em 43,9% do total de concelhos de Portugal continental e de oferta convencionada em 55,4%.
Entre os concelhos sem oferta convencionada, os tempos mínimos de deslocação para o concelho mais próximo com oferta variavam entre 13 minutos e uma hora e 57 minutos. A população residente em concelhos com tempos mínimos de deslocação superiores a 45 minutos representava 3,7% do total de residentes em Portugal continental.