China tem sistema de IA para planear e coordenar ataques aéreos de larga escala

China tem sistema de IA para planear e coordenar ataques aéreos de larga escala

  • 04/08/2026 09:26
  • Redação

A Força Aérea chinesa está a utilizar um sistema baseado em Inteligência Artificial (IA) para elaborar planos de batalha em operações que envolvam mais de 100 unidades, de acordo com um documentário da televisão estatal, CCTV, citado pelo jornal de Hong Kong, o South China Morning Post (SCMP).

Este “sistema inteligente de planeamento de ataques” foi concebido para ajudar comandantes e pilotos. Estabelece prioridades entre os alvos, coordenando ondas de ataques e atribuindo tarefas específicas às unidades.

O programa da CCTV transmitido no último fim-de-semana, acrescentando que já tinha sido utilizado "várias" vezes.

A agência Reuters noticia também que investigadores militares chineses utilizaram resultados de modelos de inteligência artificial norte-americanos de ponta, desenvolvidos pela OpenAI e pela Anthropic, para treinar sistemas de IA nacionais com o objetivo de reforçar as capacidades de defesa da China.

Estas descobertas, até agora não divulgadas, oferecem uma visão rara sobre a forma como as instituições militares e de segurança na China estão a aproveitar modelos de IA norte-americanos de ponta como um atalho para o desenvolvimento dos seus próprios sistemas especializados.

Isto apesar dos esforços de Washington para restringir o acesso de Pequim a chips avançados e outras tecnologias estratégicas. Também é incomum a publicitação de imagens sobre a utilização de novas tecnologias no Exército Popular de Libertação.

A análise da Reuters é feita a partir de mais de 80 artigos académicos e patentes chineses estudados por académicos da norte-americana Jamestown Foundation.

Neste sistema baseado em Inteligência Artificial (IA) para elaborar planos de batalha em operações utiliza o conceito conhecido como guerra do “sistema dos sistemas”. Nela são combinadas múltiplas plataformas e sistemas de armamento.

Este sistema foi desenvolvido por uma equipa liderada pelo Coronel-Sénior Deng Jianping para apoiar exercícios de treino que têm envolvido formações cada vez maiores e diferentes tipos de aeronaves, escreve ainda o SCMP.

Com “centenas de alvos e dezenas de formações” a moverem-se a alta velocidade, os métodos de cálculo tradicionais não conseguiam acompanhar o ritmo, afirmou Deng à série documental da CCTV "Zhisheng" (Alcançar a Vitória), transmitida para celebrar o 99.º aniversário do Exército Popular de Libertação.

“A parte mais difícil não é escrever código ou construir modelos. É compreender profundamente a lógica do campo de batalha. Alvos, poder de fogo, penetração e avaliação de danos — toda a cadeia de ataque”, afirmou Deng.

Acrescentou que, se houvesse sequer uma “pequena falha na lógica”, isso poderia fazer a diferença entre a vitória e a derrota.

O programa incluiu imagens de um teste de sistemas em que um ecrã gigante num centro de comando em terra mostrava mísseis lançados a partir de diferentes plataformas a atingir alvos em terra e no mar, após os pilotos terem recebido a ordem de disparar.

“Num exercício em grande escala da Força Aérea, mais de 100 unidades táticas, com base no planeamento deste sistema, coordenaram os ataques, alcançando uma sincronização na fração de um segundo. Deixemos que o software defina o equipamento, defina as operações e defina o campo de batalha”, afirmou Deng.

Na quinta-feira, o Presidente Xi Jinping afirmou, numa sessão de estudo do Politburo, que o Exército Popular de Libertação (PLA) deve “reforçar a aplicação militar de tecnologias inteligentes não tripuladas, aprofundar o desenvolvimento e a aplicação de sistemas de informação em rede e construir gradualmente um sistema militar inteligente”.

Anteriormente, a divulgação pelo PLA da utilização do IA centrara-se principalmente em áreas como o dos drones, e não em sistemas concebidos para apoiar operações em grande escala envolvendo pilotos humanos.

A Reuters acrescenta ainda que os documentos agora conhecidos sugerem que as instituições de defesa chinesas encaram os principais modelos de IA dos EUA como uma fonte de conhecimento técnico e como uma forma de colmatar o fosso em relação aos rivais americanos.

A questão surgiu como um importante ponto de tensão na véspera das negociações entre os EUA e a China sobre a governação e a segurança da IA.

As autoridades norte-americanas acusaram algumas entidades chinesas de utilizarem a destilação de dados (utilizar um sistema baseado em Inteligência Artificial (IA) para elaborar planos de batalha em operações) para extrair capacidades de modelos de IA norte-americanos, o que poderia comprometer os controlos de exportação e infringir os direitos de propriedade intelectual.

A China rejeitou as acusações, afirmando que Washington está a perseguir um "hegemonismo" em matéria de IA, ao mesmo tempo que argumenta que as empresas norte-americanas se têm envolvido em práticas semelhantes.

Sunny Cheung, um investigador do Jamestown que analisou mais de 60 desses artigos, afirmou que os cientistas militares chineses estão a captar sistematicamente os passos do raciocínio dos modelos ocidentais para os adaptar à vigilância, à guerra cibernética e à tomada de decisões táticas.

"Ensinar a um modelo a resposta certa é uma coisa, mas ensinar-lhe o raciocínio por detrás da resposta é muito mais difícil", afirmou Cheung.

"Estes artigos mostram que os investigadores ligados às forças armadas chinesas estão a tentar transferir esse raciocínio dispendioso e exclusivo dos modelos ocidentais para sistemas mais pequenos que possam controlar e implementar localmente", resume.

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: