Trump vai começar a cobrar acesso privilegiado às publicações que faz nas redes sociais
- 05/08/2026 05:14
- Redação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai cobrar pelo acesso privilegiado as publicações que faz nas redes sociais. Ou seja, quem pagar vai ter acesso antecipado. Um negócio a pensar nos investidores de Wal Street e grandes bancos de investimento.
Através da Trump Media & Technology Group (TMTG), o líder dos EUA pretende agora cobrar pelo acesso a essas informações capazes de influenciar os mercados, divulgadas na plataforma Truth Social.
Lançou um serviço pago para proporcionar às empresas de Wall Street e aos investidores institucionais um “acesso mais rápido” às contas mais influentes desta rede social.
Previa-se que o serviço estivesse disponível para clientes institucionais a 1 de agosto. O Financial Times noticiou que os clientes poderiam ter de pagar até 100 mil dólares por mês (87 mil euros) pelo acesso de alta velocidade, mas a TMTG não confirmou esse valor.
A TMTG não afirmou diretamente que o serviço inclui a conta do próprio presidente, mas com cerca de 13 milhões de seguidores é o que tem mais seguidores na plataforma.
No entanto, esta questão suscitou uma série de questões jurídicas e reflexões éticas, incluindo se é correto que uma empresa — da qual a família do presidente continua a ser o acionista maioritário — venha a lucrar com as próprias declarações públicas.
Richard Painter, antigo conselheiro jurídico principal para questões de ética do presidente George W. Bush, afirmou à BBC que, mesmo que Trump não tire proveito de informações do governo dos EUA, existe a chamada "responsabilidade do informador e do destinatário da informação" ao abrigo das leis relativas ao abuso de informação privilegiada.
“Se eu tiver informações que pertencem ao governo dos Estados Unidos e que não estou autorizado a utilizar para negociar, e em vez de negociar, simplesmente passar essas informações a outra pessoa que me paga por elas e essa pessoa negocia — e eu sei que é provável que ela o faça —, então também sou culpado de abuso de informação privilegiada, tal como essa pessoa”, afirma Painter.
Tem havido um silêncio total quanto às pessoas que aderiram ao serviço até ao momento. A TMTG afirma que teve clientes a registarem-se antes da data de lançamento, mas não revelou quantos.
A BBC contactou alguns dos principais bancos de investimento e empresas de negociação de alta frequência dos EUA, desde a Goldman Sachs e o JP Morgan até à Citadel Securities e à Jane Street, para perguntar se já tinham aderido ou se tencionavam aderir.
Todos se recusaram a comentar ou não responderam. A Casa Branca também se recusou a comentar.