Preço dos alimentos deverá aumentar até ao final do ano

Preço dos alimentos deverá aumentar até ao final do ano

  • 05/08/2026 10:06
  • Redação

Apesar do aumento já registado este ano em muitas matérias-primas, como o milho, o trigo e o arroz, os preços ainda não refletem a pressão atual sobre as colheitas. "Prevejo que os preços das matérias-primas comecem a subir mais a partir de agora”, avisa o economista-chefe da FAO.

Maximo Torero, da Agência da ONU para a Alimentação e Agricultura, explica em entrevista à agência Reuters que vivemos uma tempestade perfeita. As guerras no Médio Oriente e na Ucrânia, além do fenómeno climático El Niño, aumentaram os custos de produção e diminuíram os rendimentos das colheitas.

Os consumidores já estão a comprar os alimentos mais caros este ano, mas a subida dos preços foi contida porque reflete as colheitas ainda de 2027. A inflação também tem estado controlada, apesar de o preço do petróleo ter disparado no primeiro semestre.

Esta aparente tranquilidade deverá desaparecer este verão. Os preços mais elevados do petróleo, a escassez de gasóleo em alguns países, a perda de fertilizantes da região do Golfo e as condições meteorológicas extremas deverão começar agora a refletir-se de forma mais expressiva no custo da alimentação.

“Prevejo que os preços das matérias-primas comecem a subir mais a partir de agora e que os preços dos alimentos comecem a subir até ao final do ano. No próximo ano, sem dúvida que subirão ainda mais”, antecipa Maximo Torero.

O economista chefe da FAO explica ainda que “o tempo de transmissão do preço das matérias-primas para o preço final dos alimentos é de cerca de três a seis meses”. Ou seja, até ao final do ano os consumidores vão sentir este novo aumento na alimentação.

O encerramento do Estreito de Ormuz e a subida do petróleo tem impacto direto na produção agrícola, com o aumento dos custos de distribuição e produção. Por exemplo, o aumento do combustível afeta atividades como a bombagem, embalagem, processamento e transporte. O gás natural é utilizado na produção de fertilizantes.

Os danos causados nas infraestruturas petrolíferas, quer no Médio Oriente quer na Rússia, também contribuem para estes aumentos, de forma generalizada.

Além disso, Torero chama a atenção para o fenómeno meteorológico El Niño, que este ano deverá ser especialmente intenso, alterando significativamente os padrões de precipitação. Segundo o economista-chefe, pode deixar dezenas de milhões de pessoas numa situação de insegurança alimentar aguda.

Como os preços das matérias-primas são globais, mesmo que os países mais ricos atenuem as subidas junto do consumidor final, não travam o agravamento global dos preços.

“As margens reduzidas estão a exercer pressão sobre as decisões relativas às plantações“, avisa o economista-chefe da FAO. “Ouve-se falar disto na Europa, nos EUA, no Brasil e na Ásia”, acrescenta.

  • Fonte: Rádio Renascença
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