Papa pede esclarecimentos ao Presidente de Moçambique sobre assassinato de D. Osório
- 05/08/2026 10:22
- Redação
A informação foi divulgada pelo arcebispo de Maputo, D. João Carlos Nunes, à imprensa moçambicana e confirmada pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) junto de vários bispos do país.
Segundo o arcebispo, a carta do Papa reflete a "preocupação" da Santa Sé com a evolução das investigações. D. João Carlos Nunes lamentou que a Igreja continue a conhecer o caso apenas através das notícias divulgadas pelos meios de comunicação social.
"É importante reconhecer que nós também somos interessados, queremos saber efetivamente o que se passou", afirmou.
"Ao longo da história da Igreja sempre houve situações de Judas. Vemos isso logo no início, entre os apóstolos, quando alguém traiu o Mestre. Portanto, não é algo fora do comum", afirmou D. João Carlos Nunes.
O bispo admitiu que possam existir sacerdotes que não vivem de forma fiel a sua vocação. "Pode acontecer que haja padres que não vivam fielmente as suas obrigações e não cumpram o Evangelho", referiu.
Contudo, sublinhou que, antes de apontar responsabilidades, é necessário que a investigação esclareça os factos. "Mais do que apontar este ou aquele, importa saber concretamente o que se passa. É real essa situação do envolvimento de pastores no assassinato? Se se confirmar, então é necessário purificar", defendeu.
O prelado adiantou ainda que a Conferência Episcopal de Moçambique vai realizar uma assembleia extraordinária para analisar todas as questões relacionadas com o homicídio do bispo de Quelimane.
D. Osório Citora Afonso foi assassinado na madrugada de 6 de junho com disparos de uma arma de guerra, segundo indicaram as autoridades policiais.
No final do encontro, o presidente da Conferência Episcopal, D. Inácio Saure, afirmou que, apesar de se saber que o bispo foi morto com uma arma de guerra e de terem sido detidos alguns colaboradores de D. Osório, a Igreja continua sem qualquer informação oficial sobre a investigação.
"As perguntas continuam a ser as mesmas: quem matou exatamente D. Osório, quem mandou matar e quais foram as motivações do assassinato", sublinhou D. Inácio Saure.
Após a morte de D. Osório, o Papa nomeou D. Estêvão Fernando, bispo do Alto Molócuè, como administrador apostólico da Diocese de Quelimane. Já D. António Constantino, bispo de Caia, passou a administrar provisoriamente a Arquidiocese da Beira, funções que também estavam confiadas ao bispo assassinado.