Cocaína apreendida em 2026 já supera a totalidade de 2025

Cocaína apreendida em 2026 já supera a totalidade de 2025

  • 05/08/2026 12:37
  • Redação

São agora 28 as toneladas apreendidas pelas autoridades portuguesas, até ao momento, sendo que na totalidade de 2025 tinham sido resgatadas 25 toneladas de cocaína das mãos de organizações criminosas.

“Temos aqui um superavit já com alguma expressão. Superavit que é superior a 10%, que já é significativo e é particularmente significativo se tivermos em atenção o facto de ainda termos mais uns meses até ao final do ano”, explicou o diretor da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes, João Oliveira.

As declarações foram feitas esta quarta-feira à tarde numa conferência de imprensa na sede da Polícia Judiciária para falar acerca da operação "Skydrop": onde foram detidos três estrangeiros a bordo de um navio que transportava contentores. Trata-se de um italiano, um colombiano e um indiano – este último um membro da tripulação, os outros dois estavam no local clandestinamente. Todos serão presentes a juiz, esta quarta-feira, para conhecerem as medidas de coação

Ainda assim, apesar da suspeita de colaboração por parte de um dos membros, a PJ não remete, para já, culpas diretas para a empresa transportadora. “Relativamente à empresa não há absolutamente, até agora, nenhuma suspeita”, referiu João Oliveira.

“Neste sentido até poderemos dizer que, à semelhança de outras situações que já ocorreram, cujos modus operandi nos é conhecido, as empresas não raras vezes estão completamente alheias a estas dinâmicas criminosas do tráfico de estupefacientes”, prosseguiu.

Na apresentação dos detalhes da operação que foi feita à comunicação social, foi explicado que “havia alguns indicadores que apontavam para a possibilidade de haver alguém da tripulação que estava conivente, que estava a colaborar com esta estrutura criminosa”, tendo esta pessoa, acredita a Judiciária, facilitado a movimentação da droga – que quando foi encontrada estava em parte dentro de um dos contentores e em parte “dissimulada numa zona de acesso muito difícil no porão”.

A cocaína, de acordo com a PJ, tinha como origem a América do Sul, tendo sido inserida no navio já em marcha: e seria também no meio do oceano que as autoridades acreditam que fosse retirada.

Em termos de valores, a estimativa que é apontada é de que a droga valesse no mercado mais de mil milhões de euros – “o que é absolutamente estratosférico”, sublinha João Oliveira, que não desmentiu uma pergunta que referia Marrocos como possível local de destino dos estupefacientes.

O custo total da operação não foi divulgado, sabendo-se apenas que nesta operação participaram, em conjunto com a PJ, a Força Aérea e a Marinha – que contaram também com o apoio de autoridades espanholas e britânicas. O navio porta-contentores, intercetado em alto-mar, foi depois acompanhado até ao porto de Sines.

“Há cada vez maior quantidade de cocaína a circular nesta rota da América do Sul para a Europa. Portugal, pelo seu posicionamento geográfico e como é do conhecimento de todos, é um hotspot, o que não significa que Portugal seja o país de destino de toda esta quantidade de droga. Naturalmente, aliás, a experiência diz-nos que claramente, e na maioria das situações, Portugal não é o país de destino, pese embora, não raras vezes seja um país onde essa droga é descarregada e depois daqui vai por outros meios para outros países da Europa”, salientou ainda o diretor da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes.

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: