Guardas alertam para "descontrolo da segurança" após morte de recluso
- 05/08/2026 18:01
- Redação
A morte de um recluso no Estabelecimento Prisional anexo à Polícia Judiciária de Lisboa é um sintoma da falta de vigilância e segurança nas prisões portuguesas, afirma o presidente do Sindicato Nacional dos Guardas Prisionais, Frederico Morais.
Um dos detidos num cargueiro com cinco toneladas de cocaína a bordo foi esta quarta-feira encontrado morto na cela onde estava sozinho.
“Não devia acontecer, é um facto, mas infelizmente a falta de efetivos no Corpo da Guarda Prisional e a sobrelotação exagerada dos estabelecimentos prisionais… [leva a] um descontrolo da parte da segurança e da vigilância. Somos muito poucos para garantir o funcionamento de tudo”, sublinha.
Um outro fator que é apontado pelo Sindicato dos Guardas Prisionais é a quantidade de objetos presentes dentro de uma cela, que possibilitam que alguém possa tirar a própria vida.
“Antigamente, conseguíamos ter reclusos em celas onde lhes retínhamos todos os pertences que pudesse levar ao suicídio, desde os cordões das sapatilhas, ao cinto. Hoje em dia é impossível fazer isso, porque os direitos humanos – e bem – entendem que isso viola a Carta das Nações Unidas”, refere Frederico Morais.
“É uma cela simples, tem cinco metros quadrados, talvez nem tanto, tem uma cama, mas a maioria são beliches por causa da sobrelotação, tem uma mesa e uma sanita e um lavatório”, explica.
O caso foi reportado à Polícia Judiciária e vai ser aberto um inquérito interno para apurar as circunstâncias da ocorrência.